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Jaques Wagner classifica veto a Jorge Messias como “cacetada” em Lula

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Pequim (China) – O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quarta-feira (6) que a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi, na prática, “uma cacetada” no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao site Bahia Notícias durante agenda oficial na China, Wagner disse que parte dos senadores votou movida pelo desejo de atingir Lula, e não pela capacidade técnica do advogado-geral da União. “As pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não. Estavam a fim de dar uma cacetada no presidente e usaram o Jorge Messias”, declarou.

Votação surpreendeu o Planalto

Messias precisava de 41 votos para ser aprovado, mas recebeu apenas 34. Segundo Wagner, sondagens internas indicavam entre 41 e 42 votos favoráveis, o que levou o governo a ser pego de surpresa pelo resultado.

O senador atribuiu a derrota a um “trabalho sorrateiro” de parlamentares. “Muita gente trabalhou por debaixo do pano, a gente não se deu conta”, lamentou. Para ele, a sabatina transformou-se num “julgamento do presidente da República”, já que a votação secreta dificultou a conferência do apoio real.

Relação abalada com Alcolumbre

Wagner confirmou que a articulação política ficou estremecida com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O dirigente da Casa defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF e esperava que o líder do governo convencesse Lula a mudar de indicação. “Minha relação ficou muito estremecida porque ele queria o Pacheco. Eu não mando na cabeça do presidente”, disse.

Momentos antes do anúncio oficial da contagem, Alcolumbre conversou ao pé do ouvido com Wagner e previu: “Vai perder por oito”. A frase, captada pelos microfones da Mesa, embasa ação da Associação Civitas para Cidadania e Cultura no STF que pede a anulação da sessão.

Derrota inédita desde 1988

O Senado não barrava um indicado ao Supremo desde a promulgação da Constituição de 1988. Antes de Messias, apenas cinco indicações foram rejeitadas, todas em 1894, durante o governo Floriano Peixoto. Wagner acredita que “muitos senadores ainda vão se arrepender” do veto.

Com informações de Gazeta do Povo