Brasília, 5 de maio de 2026 – O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça-feira (5) que o país “ainda nem começou” suas operações contra os Estados Unidos no Estreito de Ormuz, foco das tensões desde o início da guerra em 28 de fevereiro. Apesar das declarações, autoridades norte-americanas garantem que o cessar-fogo firmado em 7 de abril permanece em vigor.
Em mensagem publicada na rede X, Ghalibaf acusou Washington e aliados de comprometerem “a segurança da navegação e do trânsito de combustíveis” com violações do acordo e bloqueios. “Sabemos muito bem que a manutenção do status quo é intolerável para os EUA; e ainda nem começamos”, escreveu o dirigente, que participa das negociações para pôr fim ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Irã quer controle total da passagem
Desde o início da guerra, Teerã bloqueia o Estreito de Ormuz, rota por onde antes transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito exportados no mundo. Entre as exigências iranianas para encerrar as hostilidades estão o controle militar da passagem e a cobrança de pedágios de navios mercantes — condições rechaçadas por Washington.
Projeto Liberdade
Na segunda-feira (4), o governo norte-americano lançou o Projeto Liberdade, operação destinada a escoltar embarcações comerciais retidas na região. O Comando Central (Centcom) destacou destróieres lança-mísseis, mais de cem aeronaves do Exército e da Marinha, plataformas não tripuladas em vários domínios e 15 mil militares para apoiar a iniciativa.
Teerã reagiu anunciando que visaria navios que cruzassem Ormuz sem “coordenação” com autoridades iranianas. Nas últimas 24 horas, EUA e Irã divulgaram relatos de ataques relacionados ao Projeto Liberdade, o que colocou o cessar-fogo em xeque.
Washington minimiza escala dos ataques
Em coletiva nesta terça-feira, o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que a trégua “não foi rompida”. Ao lado dele, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou que as investidas iranianas “ainda não atingiram o patamar” que justificaria o retorno a operações de combate em larga escala.
Segundo Caine, desde 7 de abril o Irã disparou contra embarcações comerciais nove vezes, apreendeu dois navios porta-contêineres e atacou forças norte-americanas em mais de dez ocasiões — números que, na avaliação de Washington, permanecem abaixo do limite para o fim oficial do cessar-fogo.
Com informações de Gazeta do Povo