Um tribunal de Israel decidiu neste domingo, 3 de maio de 2026, estender por mais 48 horas a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do hispano-palestino Saif Abukeshek, presos na última quinta-feira (1º) em águas internacionais enquanto participavam da Global Sumud Flotilla rumo à Faixa de Gaza.
As autoridades israelenses acusam os dois de ligação com uma organização sancionada pelos Estados Unidos. Já os organizadores da flotilha sustentam que a embarcação transportava ajuda humanitária destinada aos palestinos.
Detenção em Ashkelon
Ávila e Abukeshek permanecem no centro de detenção de Shikma, na cidade costeira de Ashkelon. A informação foi confirmada pela organização de direitos humanos Adalah, responsável pela defesa legal dos ativistas. Segundo a entidade, os advogados só conseguiram acesso aos detidos após sucessivas tentativas sem resposta, mesmo apresentando procurações notariais.
Greve de fome e estado de saúde
De acordo com a Adalah, Abukeshek iniciou uma greve de fome logo após a prisão. Funcionários do consulado da Espanha em Tel Aviv conseguiram visitá-lo no sábado (2) por menos de dez minutos e relataram que ele apresenta “estado de saúde correto”, embora com pequenos ferimentos.
A esposa do ativista, Sally Abukeshek, contou que o marido está em choque por não ter conseguido sequer telefonar para a filha no aniversário dela. Segundo Sally, Abukeshek, nascido no campo de refugiados de Askar, em Nablus, vive há anos em Barcelona com a família e participava da missão apenas como observador, prestando apoio logístico — função que já desempenhara em outra flotilha que partiu de Barcelona e só avançou até um porto italiano.
Apelos por libertação
Sally exigiu a libertação imediata do marido e pediu ao governo espanhol que use todos os recursos diplomáticos disponíveis. Ela também convocou a sociedade civil a pressionar Israel por meio de protestos em embaixadas e consulados.
Thiago Ávila, reconhecido por sua militância pró-Palestina, segue detido sob as mesmas acusações. Até o momento, não há informações oficiais sobre eventual abertura de processo criminal contra os dois ativistas.
Com informações de Gazeta do Povo