Brasília — 28 de abril de 2026 (terça-feira) — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente parlamentares que, segundo ele, recorrem a ofensas à Corte para obter visibilidade eleitoral. Durante sessão da Primeira Turma, Moraes afirmou que políticos “sem votos” transformam o Judiciário em “escada eleitoral” para acumular curtidas nas redes sociais e subir nas pesquisas.
A declaração foi feita enquanto o colegiado julgava uma queixa-crime apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) contra o colega José Nelto (PP-GO). Nelto havia chamado Gayer de “fascista” e “nazista” em um podcast, além de acusá-lo de agredir uma enfermeira. O processo terminou rejeitado após empate na votação, aplicando-se a regra que favorece o réu em casos de igualdade de votos.
“Papo de subsolo” e críticas a discursos vazios
Moraes lamentou o nível dos debates políticos atuais, classificando as trocas de acusações como “papo de subsolo” e comparando-as a “conversa de machão de bar”. Para o ministro, parte dos candidatos evita discutir propostas concretas para áreas como saúde e educação e, em vez disso, aposta em ataques agressivos ao STF para compensar a falta de conteúdo programático.
Indireta a Romeu Zema
Sem citar nomes, Moraes mencionou pesquisas eleitorais recentes e criticou pré-candidatos que buscam polarizar o embate contra o Judiciário. A fala foi interpretada como um recado ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), envolvido em embate público com o ministro Gilmar Mendes e cotado para disputar a Presidência em 2026.
Apoio de Flávio Dino
O ministro Flávio Dino acompanhou o posicionamento, classificando os ataques ao Supremo como “covardia institucional”. Dino argumentou que é desleal atingir magistrados que, por dever de função, não podem responder em podcasts ou redes sociais, e defendeu que a Justiça atua como contrapeso à “lei do mais forte”.
O julgamento foi concluído sem abertura de ação penal contra José Nelto, e a sessão seguiu com críticas de Moraes e Dino à crescente utilização do STF como alvo de estratégias eleitorais baseadas na radicalização do discurso.
Com informações de Gazeta do Povo