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Inteligência artificial divide pastores e fiéis nos EUA, aponta pesquisa

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O avanço da inteligência artificial (IA) tem gerado cautela entre líderes e membros de igrejas protestantes nos Estados Unidos. Levantamento da Lifeway Research revela que, embora parte dos pastores já utilize a tecnologia, a maioria ainda manifesta receios sobre seu impacto na fé cristã.

Uso da IA no ministério

A pesquisa indica que apenas 10% dos pastores protestantes recorrem à IA de forma regular, enquanto 32% estão em fase de testes. Outros 18% preferem aguardar exemplos práticos antes de adotar a ferramenta. No sentido oposto, 18% evitam deliberadamente e 20% simplesmente ignoram o recurso.

De acordo com Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, parte dos líderes pode estar usando IA sem perceber, pois diversos serviços cotidianos já contam com algoritmos inteligentes.

Perfil de quem adota a tecnologia

Pastores mais jovens, atuantes em contextos urbanos, com maior escolaridade e que lideram congregações maiores demonstram maior abertura:

  • Idade: 40% dos líderes entre 18 e 44 anos e 37% dos que têm de 45 a 54 anos estão experimentando a IA, contra 23% entre os que possuem 65 anos ou mais. Apenas 4% deste grupo mais velho se consideram usuários frequentes.
  • Localização: 11% dos pastores em áreas urbanas utilizam IA regularmente, ante 5% em comunidades rurais. Já 27% dos líderes rurais afirmam ignorar o tema, percentual superior aos 18% nos centros urbanos.
  • Formação: Entre os que possuem mestrado, 10% usam IA de forma habitual, e o índice sobe para 14% entre doutores. Entre pastores sem diploma superior, esse número cai para 5%, enquanto 25% desse segmento declaram ignorar a tecnologia.

Principais preocupações

Quando questionados sobre possíveis desafios no uso ministerial da IA, a maioria dos pastores citou:

  • 84% – necessidade de revisar conteúdo por risco de erros;
  • 81% – dificuldade de garantir fontes confiáveis;
  • 76% – vieses embutidos na programação;
  • 62% – falta de transparência sobre uso de IA;
  • 59% – risco de plágio;
  • 55% – preocupação teológica de que Deus sempre se comunicou por meio de pessoas.

Apenas 4% dos entrevistados não demonstraram preocupação alguma, e 1% disse não ter certeza.

Diferentes abordagens denominacionais

Pastores evangélicos se mostram mais inquietos com a questão da comunicação divina via seres humanos (58% contra 51% de lideranças históricas). Já o risco de plágio preocupa mais o clero de denominações tradicionais (65% contra 56% entre evangélicos).

Visão dos frequentadores

Entre os fiéis, 61% temem a influência da IA sobre o cristianismo, enquanto 28% discordam e 11% não têm opinião formada. Fiéis de crença evangélica (67%) apontam maior apreensão que os demais (55%).

As denominações também variam: batistas (62%) e presbiterianos/reformados (64%) expressam mais receio do que metodistas (48%). Homens tendem a discordar mais da preocupação (31% contra 25% das mulheres). Quanto à idade, grupos de 30 a 49 anos (33%) e de 50 a 64 anos (29%) rejeitam mais a ideia de risco do que os acima de 65 anos (23%).

Entre os que frequentam cultos de uma a três vezes por mês, 31% afirmam não ter receios relacionados à IA; já entre os que participam com maior regularidade, o índice cai para 26%.

Apesar do crescimento veloz da tecnologia, o levantamento da Lifeway Research sugere que tanto pastores quanto congregações enxergam a necessidade de avaliar cuidadosamente o uso da inteligência artificial à luz de princípios bíblicos.

Com informações de Guiame