O governo do Irã tornou públicos, nesta quinta-feira (23/04/2026), vídeos que mostram agentes da Guarda Revolucionária Islâmica abordando e apreendendo dois navios cargueiros no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo.
Nas imagens transmitidas pela televisão estatal, soldados mascarados sobem por uma escada até o convés de um porta-contêineres com a inscrição MSC. Segundo Teerã, as embarcações retidas são o MSC Francesca, de bandeira panamenha, e o Epaminodes, registrado na Libéria. As autoridades iranianas acusam os dois navios de comprometer a segurança marítima, operar sem autorização adequada e adulterar sistemas de navegação.
Antes da captura, ambos teriam sido alvo de disparos, assim como o cargueiro liberiano Euphoria, que, de acordo com autoridades marítimas, conseguiu prosseguir viagem.
Cobrança de pedágio
O vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamidreza Haji Babaei, declarou que os primeiros pagamentos relativos ao pedágio cobrado pelo tráfego no estreito já foram depositados no Banco Central do Irã. O valor exato não foi divulgado.
Teerã pretende oficializar a cobrança por meio de um projeto de lei que recebeu aval de uma comissão parlamentar e aguarda votação em plenário. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que a tarifa pode chegar a US$ 2 milhões por navio ou variar conforme a carga, modelo similar ao empregado no Canal de Suez. A estimativa do veículo é de uma receita anual de cerca de US$ 100 bilhões, acima dos cerca de US$ 80 bilhões obtidos com a exportação de petróleo.
Tensão com os Estados Unidos
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, reiterou que o Irã só negociará o fim da guerra iniciada em 28 de fevereiro — atualmente sob cessar-fogo desde 7 de abril — se Washington e Israel suspenderem o bloqueio naval imposto aos portos iranianos. Segundo ele, 31 navios foram desviados de suas rotas originais e dois já foram apreendidos pelas forças dos EUA.
Com informações de Gazeta do Povo