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Zema rebate Gilmar Mendes, critica sigilo no STF e diz estar “ainda mais indignado”

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Brasília — O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) respondeu nesta segunda-feira (20/04/2026) ao pedido do ministro Gilmar Mendes para que seja incluído no inquérito das fake news, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à GloboNews, Zema afirmou não ter sido notificado formalmente, acusou a Corte de falta de transparência e declarou estar “ainda mais indignado” com o que chamou de “farra dos intocáveis”.

Pedido de investigação

Na sexta-feira (17), Gilmar Mendes encaminhou notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes solicitando a inclusão de Zema no inquérito. O documento, já remetido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que o ex-governador feriu a honra do ministro e do tribunal ao publicar vídeo nas redes sociais com críticas contundentes ao STF.

No material, parte da série “Os Intocáveis”, Zema acusa ministros de “decisões arbitrárias”, sugere que se consideram “acima da lei” e faz referências a supostas ligações da Corte com lavagem de dinheiro e com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele também cita a anulação de medidas aprovadas pela CPI do Crime Organizado.

Acusações ao Supremo

“Eu tenho criticado essa farra dos intocáveis desde o início do escândalo do Banco Master. Se queriam me atingir, o tiro saiu pela culatra”, declarou. Para o ex-governador, o inquérito conduzido no STF opera em sigilo, sem garantir direito de defesa e “sem transparência”.

Zema voltou a chamar o tribunal de “Supremo Balcão de Negócios” e, em discursos recentes, chegou a afirmar que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “merecem prisão, não apenas impeachment”.

Motivações das críticas

Entre os pontos citados por Zema estão:

  • decisão de Gilmar Mendes que barrou a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa de Toffoli e de seus irmãos, sócia de um resort de luxo no interior do Paraná, envolvido em negociações com o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master;
  • supostos diálogos de Alexandre de Moraes com Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado;
  • contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes.

Reação no Congresso

O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou o pedido de Gilmar como “precedente grave”. Em nota publicada na rede X, afirmou que a investigação criminaliza a crítica institucional, “elemento essencial da democracia”. O parlamentar também questionou a origem do inquérito das fake news, instaurado “de ofício, sem provocação do Ministério Público, sem sorteio de relatoria e com concentração de poderes incompatível com o devido processo legal”.

Para Silva, o instrumento tem sido usado de forma recorrente contra vozes de direita, “sem critérios objetivos ou limites claros”, e passa a mensagem de que “criticar pode custar caro”.

Até o fechamento desta edição, o STF não havia se manifestado sobre as declarações de Zema.

Com informações de Gazeta do Povo