Barcelona (Espanha) – 17 de abril de 2026. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta sexta-feira (17) que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, está “imbuído de fundamentalismo sionista” e ignora a diversidade política da América Latina.
Em entrevista concedida durante o evento Los Desayunos, organizado pela emissora espanhola RTVE e pela agência EFE, Petro declarou que Rubio exerce influência negativa sobre o presidente norte-americano Donald Trump. Segundo o mandatário colombiano, o chefe da Casa Branca teria sido “empurrado” pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para integrar “um bloco muito destrutivo para a humanidade”.
Críticas ao entorno de Trump
Petro disse que Trump “vive rodeado de bolhas”, cada uma com agenda própria. “A agenda mais problemática que vi foi a de Marco Rubio”, pontuou, ao afirmar que o secretário, de origem cubana, “vê Fidel Castro em cada um de nós”, em referência a líderes latino-americanos de esquerda.
O presidente colombiano acrescentou que, dentro desse ambiente de “bolhas comunicacionais”, Trump age “como se estivesse em um videogame, brincando com milhões de seres humanos”.
Histórico de tensão com Israel
Petró é um dos principais críticos de Israel na região. Em outubro de 2025, seu governo expulsou diplomatas israelenses e suspendeu o tratado de livre-comércio entre Bogotá e Tel Aviv, após a interceptação de uma flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Em maio de 2024, a Colômbia já havia rompido relações diplomáticas e proibido a venda de carvão ao país, alegando “ofensiva israelense” contra o Hamas.
ONU e relações hemisféricas
Durante a entrevista, Petro classificou a Organização das Nações Unidas como “impotente” diante do que chamou de genocídio em Gaza, mas defendeu que críticas ao organismo precisam ser feitas com “visão democrática”. Ele também disse ver alguns presidentes latino-americanos comportando-se “como cortesãos” diante de Trump, “como se tivéssemos um novo rei”.
Pressões de Washington
No ano passado, Washington impôs sanções econômicas a Petro, acusando o governo colombiano de facilitar o avanço de cartéis de drogas. Em março, o jornal The New York Times noticiou que o presidente é alvo de duas investigações nos EUA por suposto vínculo com narcotraficantes.
Apesar das tensões, Petro e Trump conversaram por telefone em janeiro e se encontraram na Casa Branca semanas depois, ocasião em que trocaram elogios e prometeram cooperar no combate ao narcotráfico.
Com informações de Gazeta do Povo