Lima – O ex-prefeito da capital e candidato conservador à presidência do Peru, Rafael López Aliaga, solicitou na noite de terça-feira (14) que a primeira votação do último domingo (12) seja declarada nula. O pedido foi feito diante da sede da Junta Nacional Eleitoral (JNE), em Lima, enquanto a contagem de votos indica que ele pode ficar fora do segundo turno previsto para 7 de junho.
“Membros da JNE, damos 24 horas para que esta farsa seja declarada sem efeito”, afirmou o político a centenas de apoiadores. Ele estabeleceu as 20h de quarta-feira (15) – 22h em Brasília – como prazo final para uma decisão e prometeu novas mobilizações em todo o país caso a solicitação não seja atendida.
Virada na apuração
No momento do protesto, a apuração ainda mantinha López Aliaga em segundo lugar, atrás da direitista Keiko Fujimori. Porém, no início da manhã de quarta-feira, o esquerdista Roberto Sánchez ultrapassou o conservador.
Com cerca de 90% das urnas contabilizadas, Fujimori soma 16,9% dos votos, Sánchez aparece com 12% e López Aliaga tem 11,9%. A diferença entre o segundo e o terceiro colocados é de cerca de 7 mil votos.
Acusações de fraude e prisões
López Aliaga atribui a mudança no resultado a uma “máfia” que teria preparado uma fraude para favorecer um candidato que enfrentaria Keiko Fujimori no segundo turno. Ele comparou o episódio às eleições na Venezuela sob Nicolás Maduro e pediu a prisão imediata do diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), Piero Corvetto.
As suspeitas de irregularidades ganharam força depois que a votação precisou ser estendida até segunda-feira (13) por falta de material em alguns locais. Mais de 63 mil eleitores ficaram impedidos de votar no domingo.
Nessa mesma segunda-feira, José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral da Onpe, foi preso após assumir responsabilidade pelos atrasos e apresentar renúncia. O procurador da JNE, Ronald Angulo, ingressou com queixa-crime contra Corvetto e outras quatro pessoas, entre elas Juan Alvarado Pfuyo, representante da terceirizada Galaga S.A.C.
López Aliaga sustenta que essas falhas configuram “uma estratégia para fraudar as eleições” e inflar artificialmente a candidatura de Sánchez.
Até o fechamento desta edição, a JNE não havia se pronunciado sobre o pedido de anulação.
Com informações de Gazeta do Povo