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Governo prepara versão reforçada do Desenrola e estuda saque do FGTS para reduzir dívidas das famílias

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Pressionado pela queda de popularidade a poucos meses das eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na última terça-feira (7) a proposta de um “Desenrola turbinado”, elaborada pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para aliviar o endividamento recorde das famílias brasileiras.

Dois públicos-alvo

O desenho apresentado trabalha em duas frentes:

Baixa renda inadimplente – consumidores com dívidas em atraso de 60 a 360 dias seriam estimulados a renegociar débitos com desconto;

Adimplentes pressionados – quem ainda paga em dia, mas tem grande parte da renda comprometida, teria incentivo para trocar linhas caras por crédito mais barato.

A base do programa continuará sendo o Fundo de Garantia de Operações (FGO). Quanto maior o desconto concedido pelo banco, maior será o acesso da instituição às garantias federais em novos empréstimos.

FGTS no centro da estratégia

Paralelamente, a equipe econômica avalia liberar parte do FGTS para abater dívidas. Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 10 milhões de trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderiam sacar até 20% do saldo, injetando aproximadamente R$ 7 bilhões no orçamento das famílias.

O governo também estuda autorizar o uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados privados. A ideia é reduzir a taxa, hoje perto de 4% ao mês, para patamar inferior a 3%.

Outras medidas em análise

• Injeção de R$ 10,5 bilhões de recursos “esquecidos” no sistema financeiro para reforçar o FGO;

• Redução do IOF sobre operações renegociadas;

• Criação de um Desenrola PJ voltado a micro e pequenas empresas e MEIs;

• Restrição temporária a gastos com apostas on-line para aderentes do programa.

Popularidade em queda

Pesquisa Instituto Paraná, divulgada em 30 de março, mostrou 52% de desaprovação ao governo, o maior índice desde agosto de 2025. No diagnóstico do Planalto, o peso das parcelas cancelou, no cotidiano, o impacto positivo do crescimento econômico e do desemprego em baixa.

Números do endividamento

• 80,4% das famílias estavam endividadas em março, recorde da série da CNC;

• Comprometimento da renda chegou a 29,3% em janeiro, segundo o Banco Central;

• Crédito rotativo no cartão subiu 32,7% em 12 meses até fevereiro, com juros próximos de 15% ao mês (cerca de 435% ao ano).

Ceticismo de especialistas

Para Lívio Ribeiro, do FGV Ibre, as medidas podem aliviar o orçamento apenas no curto prazo. Já Roberto Dumas, do Insper, observa que o maior problema é o percentual da renda usado para pagar dívidas, não somente o estoque de débitos.

A Fazenda pretende concluir os ajustes finais e anunciar o novo pacote até a próxima semana.

Com informações de Gazeta do Povo