Relatórios da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados à CPI do Crime Organizado indicam que o Banco Master desembolsou, de 2022 a 2025, cerca de R$ 220 milhões em contratos com políticos, ex-integrantes do governo, escritórios de advocacia e empresas de comunicação. Os pagamentos referem-se, principalmente, a serviços de consultoria econômica, jurídica, comunicação e publicidade.
Principais valores identificados
De acordo com os documentos, os repasses incluem:
- Henrique Meirelles (ex-ministro da Fazenda): R$ 18,5 milhões;
- Pollaris Consultoria, de Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda): R$ 14 milhões;
- MV Projetos e Consultoria, de Marconi Perillo (ex-governador de Goiás): R$ 14,5 milhões;
- Escritório de Michel Temer (ex-presidente): R$ 10 milhões;
- Escritórios ligados a Antônio Rueda (presidente do União Brasil): R$ 6,4 milhões;
- Lewandowski Advocacia, de familiares do ministro Ricardo Lewandowski: R$ 6,1 milhões;
- A&M Consultoria, de ACM Neto: R$ 5,45 milhões;
- WF Comunicação, do ex-ministro Fábio Wajngarten: R$ 3,8 milhões;
- BN Financeira, de Bonnie Bonilha (nora do senador Jaques Wagner): R$ 12 milhões, além de R$ 289 mil pagos ao próprio senador;
- Massa Intermediação (Grupo Massa/Ratinho): R$ 21 milhões, e Gralha Azul Empreendimentos: R$ 3 milhões;
- Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes: R$ 80 milhões;
- Portal Metrópoles: pouco mais de R$ 27 milhões por serviços de conteúdo e consultoria.
Defesas dos citados
Todos os envolvidos afirmam que os contratos seguem a legislação e foram formalmente declarados aos órgãos fiscais:
- Michel Temer sustenta ter prestado mediação jurídica, mas diz que os valores divulgados são menores.
- Henrique Meirelles e Guido Mantega alegam consultoria macroeconômica.
- Ricardo Lewandowski afirma que atuou após deixar o Supremo e antes de assumir o Ministério da Justiça.
- Antônio Rueda defende prestação “técnica e regular” e contesta vazamento de dados fiscais sigilosos.
- ACM Neto, Fábio Wajngarten, BN Financeira e Grupo Massa dizem ter emitido notas fiscais e pago tributos.
- O Metrópoles ressalta que não há investigação sobre irregularidades e que os valores decorrem de serviços jornalísticos contratados.
- O escritório Barci de Moraes nega os valores informados e classifica os dados como “incorretos e vazados ilicitamente”.
Como os valores foram levantados
Os montantes resultam do cruzamento de informações declaradas à Receita Federal — notas fiscais, escrituração contábil e declarações de imposto de renda — com movimentações bancárias monitoradas pelo Coaf. Técnicos cotejaram o que foi informado ao Fisco com o fluxo real de recursos para chegar aos valores finais. A maioria das operações não gerou Relatórios de Inteligência Financeira, mas ficou registrada nas bases oficiais.
Limites da CPI
Com previsão de encerramento em breve, a CPI do Crime Organizado não deve aprofundar a verificação da execução dos contratos. O sigilo fiscal dos dados também restringe o acesso público aos detalhes das transações, que podem ser analisadas posteriormente por Ministério Público Federal e Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo