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Escritório da esposa de Alexandre de Moraes amplia atuação em 500% nos tribunais superiores após 2017

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Brasília – Desde a posse de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2017, o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro, registrou um crescimento de quase 500% na quantidade de processos em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no próprio STF.

Salto nos números

Levantamento mostra que, antes da nomeação de Moraes, a banca de Barci patrocinava 27 ações nas duas cortes. Até abril de 2026, o total chegou a 159 processos. O avanço mais expressivo ocorreu no STJ, onde os casos passaram de 18 para 136 – aumento superior a sete vezes.

Pagamentos do Banco Master

Documentos da Receita Federal indicam que o escritório recebeu mais de R$ 80 milhões do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os repasses, de aproximadamente R$ 3,6 milhões mensais, faziam parte de um contrato estimado em R$ 129 milhões por três anos, interrompido após a liquidação da instituição financeira.

Evolução patrimonial

O patrimônio imobiliário do casal também apresentou crescimento. Em 2017, os bens declarados somavam R$ 8,6 milhões; em 2026, atingiram cerca de R$ 31,5 milhões, alta de 266% no período.

Debate sobre conflito de interesses

Embora não haja comprovação de ilegalidades, especialistas em Direito Constitucional apontam risco moral e potencial conflito de interesses quando familiares de ministros atuam em tribunais superiores. O prestígio de um integrante do STF pode atrair clientes em busca de decisões favoráveis, segundo juristas ouvidos.

Quem pode investigar ministros

A fiscalização da conduta de ministros cabe, internamente, ao próprio STF e, externamente, ao Senado Federal, por meio de processo de impeachment em casos de crime de responsabilidade. Analistas, contudo, avaliam que a conjuntura política reduz as chances de abertura de investigações.

As informações reforçam o debate sobre transparência e limites da atuação privada de parentes de autoridades do Judiciário.

Com informações de Gazeta do Povo