Brasília – 07/04/2026 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê que a redução da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte de salários, provocará queda anual de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 76,9 bilhões.
Modelo econômico estimou o impacto
A estimativa consta de nota técnica divulgada nesta terça-feira (7) pela Superintendência de Economia da CNI. O cálculo utilizou o modelo de Equilíbrio Geral Computável (EGC), que simula alterações na renda das famílias, nos resultados das empresas e na arrecadação do Estado. A introdução da jornada reduzida no modelo apontou o valor das perdas projetadas.
Indústria seria o setor mais afetado
Segundo o detalhamento, a indústria responderia pela maior retração, com diminuição de 1,2% em seu próprio PIB, impacto estimado em R$ 25,4 bilhões. O comércio apareceria na sequência, com recuo de 0,9% (R$ 11,1 bilhões), enquanto os serviços perderiam 0,8% (R$ 43,5 bilhões).
Contexto macroeconômico
Em 2025, o PIB brasileiro somou R$ 12,5 trilhões, alta de 2,3% sobre 2024, impulsionada principalmente pelo setor agropecuário, que avançou 11,7%. No mesmo período, o consumo das famílias desacelerou: cresceu 1,3%, ante 5,1% no ano anterior.
Debate no Congresso e experiências pontuais
Movimentos de esquerda ligados à campanha “Vida Além do Trabalho” articulam proposta de emenda à Constituição para extinguir a escala 6×1, que prevê seis dias trabalhados para um de descanso. Na direção oposta, os Correios propuseram a parte de seus empregados um modelo de 36 horas de trabalho para 12 horas de descanso (36×12), sistema que, na prática, concede 15 dias de folga por mês.
O estudo da CNI fortalece a oposição do setor produtivo à mudança na jornada, tema que vem gerando atritos entre empresários e governo federal.
Com informações de Gazeta do Povo