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Novo secretário de Segurança afirma que rotular PCC e CV como terroristas pode travar apoio externo

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Brasília – O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, declarou nesta quarta-feira (1º) que classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas traria obstáculos à cooperação policial internacional.

Em entrevista à CNN Brasil, o titular da pasta argumentou que a mudança de status obrigaria o Brasil a tratar do tema com agências de inteligência mais restritivas. “Em vez de sentarmos com o FBI ou com o órgão norte-americano de repressão a drogas, teríamos de dialogar com a CIA, que adota um nível de sigilo muito maior. Isso prejudicaria a cooperação internacional, que é o caminho que defendemos”, afirmou.

Temor de interferência externa

Lucas também mencionou o risco de “enfronhamento” de outros países em assuntos internos caso as facções sejam enquadradas como terroristas. Segundo ele, o PL Antifacção — já sancionado — cria um “arranjo institucional” capaz de combater essas organizações dentro do país sem recorrer ao rótulo de terrorismo, evitando, em sua avaliação, possível intervenção estrangeira.

Diferença entre facção, organização criminosa e terrorismo

Até a nova lei, PCC e CV eram tratados apenas como organizações criminosas, crime que exige pelo menos quatro integrantes, divisão de tarefas e prática de ilícitos punidos com mais de quatro anos de prisão. Agora, o termo “facção” refere-se a grupos ultraviolentos formados por no mínimo três pessoas que usam violência ou ameaça para impor controle territorial, intimidar populações ou atacar serviços e infraestrutura essenciais.

Já o crime de terrorismo, conforme a legislação brasileira, requer motivação baseada em preconceito — como racismo ou xenofobia — e a intenção de pôr em risco a paz pública ou a incolumidade coletiva por meio do terror social ou generalizado.

Operação Contenção reacendeu debate

A discussão sobre equiparar facções a terrorismo ganhou força após a Operação Contenção, que tentou frear o avanço do CV em comunidades do Rio de Janeiro. A ação resultou em mais de 120 mortos, entre eles cinco policiais, tornando-se a operação policial mais letal da história do país e levando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a apertar a fiscalização sobre o governo fluminense no âmbito da ADPF das Favelas.

Com a polêmica ainda em curso, o secretário reiterou que a estratégia do governo federal é fortalecer a colaboração com órgãos estrangeiros sem alterar o enquadramento jurídico das facções.

Com informações de Gazeta do Povo