Buenos Aires, 31 de março de 2026 – O governo argentino anunciou nesta terça-feira (31) que passará a classificar a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como organização terrorista.
No comunicado oficial, a administração de Javier Milei relembrou dois atentados ocorridos na capital argentina: o ataque à Embaixada de Israel em 1992, que matou 29 pessoas, e o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994, que deixou 85 mortos. Ambos foram atribuídos ao grupo libanês Hezbollah, aliado do regime iraniano.
Segundo a Casa Rosada, investigações judiciais e de inteligência concluíram que os ataques foram “planejados, financiados e executados” com participação direta de altos funcionários do governo do Irã e de agentes da Guarda Revolucionária. Em abril de 2024, a Sala II do Tribunal Federal de Cassação Criminal reconheceu formalmente a responsabilidade iraniana.
Como consequência, tribunais argentinos emitiram alertas vermelhos da Interpol contra vários cidadãos iranianos, entre eles o ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, recém-nomeado comandante da Guarda Revolucionária.
Com a nova designação, o Executivo poderá impor sanções financeiras e restrições operacionais para limitar eventuais atividades da força iraniana no país, além de proteger o sistema financeiro argentino de usos ilícitos.
“O presidente Javier Milei espera que esta decisão quite uma dívida histórica de mais de 30 anos com as famílias das vítimas e reafirme o compromisso na luta contra o crime organizado e o terrorismo”, diz a nota oficial.
Após a medida da Argentina, ao todo 18 países e a União Europeia já consideram a Guarda Revolucionária do Irã como grupo terrorista. Na América do Sul, Equador e Paraguai adotaram a mesma classificação anteriormente.
Com informações de Gazeta do Povo