Brasília – O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a não comparecer ao depoimento marcado para a manhã desta terça-feira (31/03) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado. Diante da segunda falta, os senadores aprovaram, por voto simbólico, um requerimento que transforma o convite em convocação obrigatória.
Campos Neto seria ouvido sobre possíveis falhas de fiscalização que teriam favorecido a expansão de organizações criminosas no sistema financeiro, além de esclarecer o escândalo de fraudes envolvendo o Banco Master. As suspeitas remontam ao período em que o banqueiro Daniel Vorcaro impulsionou seus negócios durante a gestão de Campos Neto na autoridade monetária.
Primeira ausência garantida por habeas corpus
A primeira oitiva, agendada para 3 de março, também não ocorreu. Na ocasião, o ex-presidente do BC obteve habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou a depor. À época, ele enviou comunicado à CPI oferecendo-se para responder questionamentos por escrito.
Votação sem objeções
Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) defendeu a votação imediata da convocação. “É fundamental que coletemos informações com os dois presidentes do Banco Central que estavam à frente durante o período de atuação do Banco Master”, afirmou. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), conduziu a votação simbólica, sem registro de oposição.
Outros requerimentos aprovados
Na mesma sessão, a comissão autorizou:
- Convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF), para tratar, respectivamente, do crime organizado no Rio de Janeiro e do envolvimento do Banco de Brasília (BRB) no caso Master;
- Quebra de sigilos do pastor e empresário Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro;
- Pedidos de informação sobre a compra do antigo Banco Máxima, rebatizado como Master, e sobre atos assinados pelos ex-diretores do BC Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, investigados por suposto recebimento de propina.
Com a convocação aprovada, Campos Neto deverá comparecer em data a ser definida pela CPI. Caso descumpra a determinação, poderá responder por crime de responsabilidade.
Com informações de Gazeta do Povo