São Paulo – A capital paulista abriga desde sábado (28) a Conferência Masar Badil, encontro internacional organizado por grupos da esquerda radical que defendem a causa palestina e contam com integrantes proibidos por terrorismo em diversos países. As atividades públicas terminam nesta terça-feira (31).
Durante os quatro dias de programação, participantes manifestaram apoio aberto ao governo do Irã, criticaram a presença dos Estados Unidos no Oriente Médio e usaram o slogan “Do rio ao mar”, considerado antissemita por entidades judaicas por pregar o fim do Estado de Israel. O lema tornou-se mote oficial do Hamas em 2012.
Organizações banidas participam
Entre os convidados estão representantes da rede Samidoun e da Frente Nacional para a Libertação da Palestina (FNLP), ambas proibidas ou investigadas por vínculos com terrorismo e antissemitismo em países como Alemanha, Estados Unidos, Grécia e Bélgica. Em 2023, Berlim classificou a Samidoun como disseminadora de propaganda antissemita e apoiadora do Hamas.
Rejeição aos acordos de Oslo
Fundado em 2021, o Masar Badil se apresenta como um “caminho alternativo” para a diáspora palestina, com conferências inaugurais simultâneas em Madri, Beirute e São Paulo. O movimento recusa os Acordos de Oslo e a solução de dois Estados, defendendo a “libertação total da Palestina do rio Jordão ao Mar Mediterrâneo”.
Apoio de sigla da esquerda brasileira
O Partido da Causa Operária (PCO) marcou presença no ato realizado na Avenida Paulista em 30 de março, Dia da Terra para os palestinos. Em discurso, o dirigente João Pimenta, filho do presidente do partido, pediu que o governo Lula amplie o apoio ao regime iraniano e ao chamado “Eixo da Resistência”, composto por Irã, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica e o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. Ele classificou a recente morte do líder iraniano Ali Khamenei, ocorrida em ataque aéreo a Teerã, como “martírio”.
“Centro de ofensiva imperial”
No site oficial do encontro, os organizadores afirmam que “a escalada dos Estados Unidos e da ocupação israelense contra o Irã confirma que a Ásia Ocidental segue no centro de uma ofensiva imperial”, citando ataques contínuos a Palestina, Líbano, Síria, Iêmen e Iraque.
A escolha do Brasil foi descrita como estratégica. Os ativistas apontam a presença de movimentos populares de esquerda e a “influência sionista na economia” como motivos para concentrar esforços no chamado “Sul Global”.
Com informações de Gazeta do Povo