Washington – Trinta dias após o início dos bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, os aliados contabilizam ganhos táticos expressivos, porém ainda enfrentam impasses militares, econômicos e políticos que dificultam um desfecho para o conflito.
Capacidade bélica iraniana foi fortemente degradada
Segundo o Pentágono, mais de 80% dos lançadores de mísseis iranianos foram destruídos, reduzindo em cerca de 90% a possibilidade de disparo de mísseis balísticos. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirma que mais de 90% das maiores embarcações da Marinha do Irã foram abatidas ou danificadas.
A campanha aérea atingiu mais de 10 mil alvos, incluindo complexos industriais, e eliminou figuras centrais do regime, entre elas o líder supremo Ali Khamenei e o então chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani. Os EUA também dizem ter estabelecido superioridade aérea sobre partes do território iraniano.
Baixas e custos humanos do conflito
Em um mês, 13 militares americanos morreram e 303 ficaram feridos, de acordo com o Centcom. Em Israel, ataques iranianos causaram 18 mortes, segundo o Times of Israel. No Irã, a organização Human Rights Activists in Iran (HRANA) contabiliza ao menos 3,3 mil mortos entre civis, militares e autoridades.
Irã mantém poder de dissuasão
Apesar dos danos, Teerã continua lançando mísseis e drones contra Israel, bases americanas fora da região e instalações energéticas de países do Golfo. A principal carta iraniana segue sendo o Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. A simples ameaça de bloqueio já elevou o preço do barril em mais de 70% desde o início da guerra.
Para amortecer a alta, EUA e parceiros liberaram milhões de barris de suas reservas estratégicas e flexibilizaram temporariamente sanções ao petróleo russo e iraniano.
Reforço militar americano
O Pentágono enviou mais de 2 mil fuzileiros navais e 3 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada ao Oriente Médio e estuda deslocar outros 10 mil homens. Com isso, o efetivo norte-americano na região já supera 50 mil militares, apoiados por navios de guerra e unidades anfíbias.
Autoridades em Washington não descartam ações limitadas em solo, como operações para garantir a navegação em Ormuz e, eventualmente, ocupar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano. A Casa Branca, contudo, nega planos de invasão terrestre em larga escala.
Negociações em busca de cessar-fogo
Nesta semana, os EUA apresentaram ao Irã, por meio de intermediários no Paquistão, um plano de cessar-fogo com 15 pontos que inclui restrições ao programa nuclear iraniano, reabertura de Ormuz e possível alívio de sanções. Teerã recusou a proposta e apresentou contraponto exigindo fim total das hostilidades, garantias de não retaliação e reparações pelos danos sofridos.
Pressão interna sobre o governo Trump
O custo direto da guerra já supera US$ 20 bilhões e a administração Trump prepara pedido ao Congresso para mais de US$ 200 bilhões em recursos adicionais. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina subiu 30%, aumentando a insatisfação popular a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato. Pesquisas indicam que a maioria dos eleitores reprova a condução do conflito, inclusive entre parte da base republicana.
Sem vitória militar clara e diante de crescentes pressões econômicas e políticas, Washington e Teerã continuam a testar seus limites enquanto mantêm canais diplomáticos abertos na tentativa de alcançar um acordo que encerre as hostilidades.
Com informações de Gazeta do Povo