São Paulo, 25 de março de 2026 – O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que não cabe ao seu ministério equilibrar as contas públicas e rechaçou a responsabilidade pelo rombo de R$ 320 bilhões registrado em 2025, segundo dados do Tesouro Nacional.
Ao participar de um fórum internacional na capital paulista nesta quarta-feira (25), Queiroz reagiu à crescente pressão sobre os gastos obrigatórios do governo. “Não queiram nos transformar em vilões, não queiram impor a nós a responsabilidade de fechar as contas no final do mês e no final do ano”, declarou diante de representantes de diversos países.
Déficit em alta
O déficit previdenciário aumentou R$ 7 bilhões em relação a 2024. No mesmo período, o Tesouro destinou mais de R$ 62 bilhões para cobrir benefícios de servidores civis e outros R$ 53 bilhões para militares, ampliando a pressão sobre o Orçamento federal.
Meta: ampliar cobertura
Queiroz defendeu que a principal missão da pasta é expandir a cobertura social e atrair novos contribuintes. “A nossa tarefa é incluir, é fazer com que mais e mais pessoas estejam debaixo desse grande guarda-chuvas que é a Previdência Social”, disse.
Em conversa com jornalistas, o ministro ressaltou a necessidade de melhorar a imagem do sistema para torná-lo atrativo a trabalhadores que hoje veem o INSS associado a “fraude, fila e déficit”.
Impacto do salário mínimo
A tendência, segundo técnicos do governo, é de que o desequilíbrio cresça em 2026. A política de valorização do salário mínimo aprovada no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eleva automaticamente as despesas previdenciárias, pois os benefícios são indexados ao piso nacional. Estima-se que cada R$ 1 de reajuste gere um custo adicional de cerca de R$ 400 milhões à seguridade social.
Discussão sobre nova reforma
O avanço das despesas obrigatórias e o envelhecimento da população reacenderam o debate sobre uma nova reforma da Previdência, mesmo após as mudanças de 2019. Economistas avaliam que ajustes adicionais serão inevitáveis no médio prazo para conter a trajetória da dívida pública.
No entanto, o governo Lula descarta, por ora, alterações estruturais como elevação da idade mínima ou redução de benefícios. A prioridade, segundo integrantes do Executivo, é focar em inclusão previdenciária, combate a fraudes e aumento da arrecadação.
Para Wolney Queiroz, esse conjunto de medidas, aliado à expansão da base de contribuintes, será suficiente para fortalecer o sistema sem transferir à pasta a obrigação de fechar o resultado fiscal.
Com informações de Gazeta do Povo