Copenhague – A centro-esquerda dinamarquesa registrou, nesta terça-feira (24), seu pior resultado eleitoral desde 1903. Embora tenham liderado a votação com 21,9% dos votos, os Social-Democratas da primeira-ministra Mette Frederiksen perderam 12 cadeiras e ficaram com apenas 38 assentos no Parlamento, o que torna inevitáveis negociações complexas para a formação de um novo gabinete.
Coalizão esvaziada
Os demais partidos que compõem a atual aliança governista também encolheram. O Partido Liberal, liderado pelo ministro da Defesa Troels Lund Poulsen, e os Moderados, comandados pelo chanceler Lars Løkke Rasmussen, viram suas bancadas diminuírem. Depois da apuração, Poulsen declarou que não pretende mais integrar um governo chefiado por Frederiksen, enquanto Rasmussen apelou por união: “Somos uma só tribo. Devemos nos unir. Não podemos estar divididos”.
Direita nacionalista avança
O maior salto veio do Partido do Povo Dinamarquês, legenda nacionalista de direita, que conquistou 16 cadeiras – 11 a mais que no pleito de 2022 – ultrapassando os Moderados e ficando a apenas dois assentos dos liberais. Já a Esquerda Verde ampliou sua representação para 20 parlamentares, cinco a mais que na eleição anterior.
Fator Groenlândia agrava cenário
As urnas se abriram em meio à tensão provocada pelos planos do presidente norte-americano Donald Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump sustenta que a medida é necessária por questões de segurança no Ártico diante de China e Rússia. A proposta é rejeitada por políticos dinamarqueses e groenlandeses.
Em janeiro, Washington anunciou tarifas sobre importações de oito países europeus, incluindo a Dinamarca, que se opõem ao projeto. Poucos dias depois, Trump afirmou ter desenhado, com a OTAN, “a estrutura de um acordo” sobre a ilha, suspendeu as tarifas e levou a União Europeia a congelar um pacote de retaliações.
Com um Parlamento fragmentado e o debate sobre a Groenlândia ainda em destaque, Frederiksen precisará costurar apoios para evitar a saída do poder num país de 6 milhões de habitantes que observa, à distância, os conflitos em curso no Irã e na Ucrânia.
Com informações de Gazeta do Povo