Roma — 23 de março de 2026. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, viu seu projeto de reforma do Judiciário ser derrotado em referendo realizado nesta segunda-feira (23). De acordo com resultados preliminares, cerca de 54% dos eleitores votaram “não”, contra 46% que apoiaram a proposta.
Em mensagem publicada na rede social X logo após a divulgação dos números, Meloni afirmou que respeita a decisão das urnas e afastou a possibilidade de renúncia. “O povo italiano decidiu, e nós respeitaremos essa decisão. Seguiremos em frente, como sempre fizemos, com responsabilidade, determinação e respeito pelo povo italiano e pela Itália”, escreveu. A líder já havia declarado, antes da consulta popular, que o resultado não alteraria sua permanência no cargo.
O que previa a reforma
O plano do governo pretendia:
- Proibir a troca de carreira entre juízes e promotores, prática atualmente admitida na legislação italiana;
- Modificar a composição do Conselho Superior da Magistratura, substituindo as eleições internas por sorteios entre candidatos elegíveis;
- Criar um tribunal disciplinar com 15 integrantes para analisar processos envolvendo magistrados.
Segundo o gabinete de Meloni, o sistema judicial precisa de mudanças para reduzir a morosidade e combater a corrupção, além de reforçar a responsabilização de magistrados que cometem infrações.
Entidades da magistratura e partidos de oposição alegaram que a proposta não atacava os problemas reais e, ao contrário, colocava em risco a independência do Judiciário, abrindo espaço para maior interferência política.
Apesar da derrota no plebiscito, Meloni, no poder desde 2022 à frente de uma coalizão de direita, reiterou o compromisso de “continuar trabalhando para o bem da nação” e manteve o discurso de estabilidade de seu governo.
Com informações de Gazeta do Povo