Madri (Espanha) – O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, criou em janeiro deste ano a Synapta, companhia sediada na capital espanhola, poucas semanas depois de a investigação sobre fraude no INSS aprofundar possíveis vínculos dele com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
De acordo com documentos obtidos pela reportagem, a Synapta foi registrada no Registro Mercantil de Madri e formalizada no início de fevereiro. O capital social declarado é de 3 mil euros – valor mínimo exigido pela legislação espanhola, equivalente a cerca de R$ 18 mil. Lulinha figura como único administrador.
A empresa se apresenta como prestadora de serviços de tecnologia, consultoria técnica, informática, soluções digitais e intermediação comercial para identificação de oportunidades de negócios. Seu endereço corresponde ao de um escritório de advocacia especializado em assessorar companhias estrangeiras. Funcionários do prédio afirmaram não conhecer a Synapta, mas confirmaram que o espaço costuma ser usado como domicílio fiscal, prática legal tanto na Espanha quanto no Brasil.
Defesa admite “empresa de gaveta”
Advogados de Lulinha confirmaram a abertura da Synapta e disseram que a estrutura atende às exigências legais, sendo mantida “na gaveta” para projetos futuros no exterior. A defesa reconheceu ainda que o empresário atualmente reside fora do Brasil, recebe rendimentos como pessoa física e voltará ao país caso seja convocado por autoridades.
Em 2025, Lulinha mudou-se para a Espanha sem previsão de retorno. Dados repassados pela Polícia Federal à CPMI do INSS apontam movimentações de aproximadamente R$ 19,5 milhões em suas contas nos últimos quatro anos. Apesar disso, o acesso aos sigilos bancário e fiscal do empresário, autorizado pela comissão, foi suspenso por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Viagem com investigado e negação de repasses
O advogado Marco Aurélio de Carvalho confirmou que seu cliente viajou a Portugal em 2024 ao lado de Antônio Camilo Antunes para visitar uma fábrica de cannabis medicinal, mas negou qualquer relação comercial ou repasse de recursos. Segundo ele, o encontro foi articulado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e Antunes “nunca depositou um real” nas contas do empresário.
A CPMI apura relatos de que o Careca do INSS teria feito transferências indiretas a Lulinha por meio de terceiros. A defesa declara que não há vínculos financeiros entre os dois.
A abertura da Synapta ocorre no momento em que o Senado e a Polícia Federal intensificam a investigação. Enquanto isso, Lulinha segue radicado na Europa e afirma estar à disposição das autoridades brasileiras.
Com informações de Gazeta do Povo