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Ex-soldado brasileiro diz que guerra contra o Irã define futuro da segurança israelense

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Jerusalém – 17/03/2026, 20h45. O brasileiro Gabriel Schorr, ex-integrante das Forças de Defesa de Israel (FDI) por 23 anos e hoje diretor da organização Exodus Israel, afirmou que o confronto direto com o Irã é visto no país como a fase crucial de um conflito iniciado em 7 de outubro de 2023, após os ataques do Hamas.

Irã como peça central do embate

Segundo Schorr, grande parte da sociedade israelense acredita que as ações contra o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen só ganham significado estratégico completo quando a “fonte de financiamento, treinamento e inspiração” desses grupos – o regime iraniano – é neutralizada. Para ele, enfraquecer Teerã pode reduzir a ameaça existencial a Israel e permitir novos rumos na região.

Rotina civil sob mísseis e sirenes

Desde os ataques do Hamas, a população vive uma lógica de guerra quase contínua. A escalada com o Irã levou ao fechamento de escolas, restrições de deslocamento e reorganização da vida em torno de alertas em celulares e sirenes. Pais enfrentam dificuldades para trabalhar presencialmente, mitigadas pelo home office, prática consolidada desde a pandemia e os anos recentes de conflito.

Três camadas de defesa

Schorr descreve a proteção israelense em três níveis: o Domo de Ferro contra mísseis de curto alcance; os sistemas Hetz (Arrow) e Davids Sling para ameaças balísticas maiores; e o apoio direto dos Estados Unidos na intercepção de projéteis iranianos. A terceira camada depende da disciplina civil, coordenada pelo Comando da Frente Interna, que emite alertas oferecendo de 10 segundos a 1 minuto e meio para que as pessoas alcancem abrigos.

Objetivos de Washington

Na avaliação do ex-soldado, o presidente norte-americano Donald Trump busca não só destruir capacidades militares iranianas, mas impedir o avanço de uma aliança entre Irã, Rússia e China. Schorr considera possível o envio de tropas dos EUA ao Irã para proteger o Estreito de Ormuz e áreas nucleares em eventual tentativa de mudança de regime, salientando que a população iraniana teria papel decisivo nesse cenário.

Capacidade iraniana em queda, conflito indefinido

Dados citados por Schorr indicam que o Irã reduziu de 40–50 para 3–6 mísseis balísticos lançados diariamente contra Israel após ataques israelenses e norte-americanos, sobretudo no oeste iraniano. Ainda assim, instalações no leste do país podem sustentar a guerra por mais tempo.

Hormuz e Hezbollah continuam na mira

Teerã tem usado o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, para pressionar o Ocidente com ameaças a navios e minas aquáticas. Paralelamente, o Hezbollah segue como o principal perigo regional para Israel, que, segundo Schorr, precisa cortar a influência iraniana sobre o grupo para estabilizar o Líbano.

Depois da guerra

Schorr acredita que Israel sairá do conflito mais seguro e com alianças reforçadas, embora reconheça incertezas sobre a estabilidade no Oriente Médio. Ele vê possibilidade de rearranjos diplomáticos envolvendo Líbano, Síria e territórios palestinos, citando os acordos firmados anteriormente com Egito, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.

Ao público brasileiro, o ex-militar resumiu a motivação de seu país: “Israel não busca expandir território nem dominar outros povos; quer apenas continuar existindo em segurança”.

Com informações de Gazeta do Povo