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Ataque no estado de Kwara: cristão é morto e cinco fiéis são levados por supostos fulanis

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Suspeitos de terrorismo da etnia fulani invadiram na quarta-feira, 11 de março, a aldeia de Oyatedo, na área de Irepodun, estado de Kwara, oeste da Nigéria. Durante a ação, o cristão John Omoniyi Ajise foi assassinado e sua esposa, além de outros quatro fiéis, acabou sequestrada, informaram líderes da Igreja Evangélica Vencedora de Todas as Nações (ECWA).

Em nota assinada pelo presidente estadual da denominação, reverendo Samuel Adewumi, e pelo secretário, reverendo doutor Joseph Agboluaje, a ECWA confirmou que a vítima era irmão do vice-presidente nacional da igreja, reverendo Sunday Stephen Ajise.

Sequência de ataques

Conforme o comunicado, o episódio é mais um de uma série de assassinatos e sequestros direcionados a cristãos na região. “Muitos pastores ficaram sem congregação, moradores abandonaram suas casas e a atividade econômica entrou em colapso, lançando várias famílias na pobreza”, diz o texto, divulgado após reunião conjunta dos conselhos distritais de Ilorin, Omu-Aran, Igbaja, Oro-Ago e Fate-Tanke.

Os líderes também lembraram outros dois cristãos, identificados apenas como Dada e Ishola, raptados anteriormente na aldeia vizinha de Ahun, comunidade majoritariamente cristã.

Polícia promete reação

A porta-voz do Comando da Polícia de Kwara, Adetoun Ejire-Adeyemi, reconheceu a escalada da violência e afirmou ao Christian Daily International-Morning Star News que “esforços estão em andamento” para conter os ataques. Segundo ela, o inspetor-geral da Polícia visitou o estado e prometeu tornar “coisa do passado” o banditismo na região. Prisões recentes foram efetuadas e os suspeitos deverão ir a julgamento assim que as investigações forem concluídas.

Nigéria lidera mortes por perseguição religiosa

Dados da Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, mostram que, entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, 3.490 cristãos nigerianos foram mortos por causa da fé, número que representa 72% das 4.849 mortes registradas no planeta. O país ocupa a 7ª posição entre os 50 onde é mais difícil ser cristão.

Embora a maioria dos fulanis seja muçulmana e não adote posições extremistas, relatório do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença (APPG) do Reino Unido, publicado em 2020, aponta que facções radicais fulanis empregam táticas semelhantes às do Boko Haram e do ISWAP, mirando comunidades cristãs e seus símbolos. Líderes religiosos locais atribuem parte da violência ao interesse em tomar terras de agricultores cristãos, agravado pela desertificação que afeta a criação de gado.

Grupos jihadistas como Boko Haram, ISWAP e, mais recentemente, o Lakurawa — ligado à rede Al-Qaeda — também atuam no norte e avançam em direção ao sul, intensificando sequestros para resgate, ataques armados e bloqueios de estradas, segundo a Portas Abertas.

No momento, os cinco cristãos levados em Oyatedo continuam desaparecidos, enquanto as autoridades mantêm buscas na tentativa de localizá-los e capturar os envolvidos.

Com informações de Folha Gospel