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Argentina de Milei e Brasil de Lula seguem trilhas econômicas opostas em 2026

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Brasília e Buenos Aires, 16 mar. 2026 – As reformas aceleradas pelo presidente argentino Javier Milei, aprovadas neste primeiro trimestre de 2026, evidenciam um choque frontal com a agenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Na prática, as duas maiores economias sul-americanas adotam estratégias inversas em temas como mercado de trabalho, maioridade penal, tamanho do Estado, controle inflacionário e cooperação em segurança pública.

Flexibilização trabalhista x redução de jornada

Na Argentina, Milei conseguiu aprovar no Congresso uma revisão da legislação laboral que autoriza contratos mais flexíveis, turnos de até 12 horas e enfraquece o poder sindical para cortar custos de demissão e contratação. No Brasil, o Planalto defende revogar o modelo 6×1 e sustenta proposta que reduz a carga semanal de 44 para 36 horas, com foco na proteção ao trabalhador.

Maioridade penal

Os deputados argentinos aprovaram a queda da idade mínima para responsabilização criminal de 16 para 14 anos. Em Brasília, o Executivo atuou para bloquear iniciativas semelhantes no Congresso, mantendo a maioridade penal em 18 anos e barrando tentativas de redução para 16.

Tamanho do Estado

Em Buenos Aires, a chamada “política da motosserra” resultou na extinção de milhares de cargos públicos e no enxugamento de ministérios para conter despesas. O governo brasileiro, por sua vez, ampliou pastas e registrou gastos administrativos recordes sob o argumento de que o Estado deve liderar o desenvolvimento.

Inflação e ritmo econômico

Após cortes drásticos de gastos, a Argentina projeta inflação mensal abaixo de 1% no segundo semestre de 2026, embora a taxa anual permaneça elevada. No Brasil, índices recentes superaram as expectativas do mercado, indicando pressão inflacionária crescente.

Segurança pública e narcotráfico

O alinhamento de Milei aos Estados Unidos ficou evidente na cúpula “Escudo das Américas”, dedicada ao combate ao narcotráfico. Na ocasião, o governo argentino classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O Brasil não participou do encontro e acompanhou com preocupação a possibilidade de Washington adotar a mesma designação para as facções.

Esses movimentos reforçam caminhos divergentes entre Buenos Aires e Brasília, que disputam modelos econômicos e sociais contrastantes para a América do Sul.

Com informações de Gazeta do Povo