Home / Política / Entidade de magistrados acusa Flávio Dino de extrapolar funções ao extinguir aposentadoria compulsória como punição

Entidade de magistrados acusa Flávio Dino de extrapolar funções ao extinguir aposentadoria compulsória como punição

ocrente 1773688767
Spread the love

Brasília – A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages) divulgou nota nesta segunda-feira (16) contestando decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino que extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção máxima a juízes e determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passe a aplicar a perda do cargo e do salário.

Para a entidade, Dino estaria “legislando por decisão judicial”, desrespeitando a Constituição Federal, que – afirma a associação – exige lei complementar aprovada pelo Congresso Nacional para alterar o regime disciplinar da magistratura. “Fora desse caminho, qualquer tentativa de criação ou substituição de sanções não passa de voluntarismo incompatível com o Estado Democrático de Direito”, diz o texto.

Ao proferir a decisão, o ministro sustentou que aposentadoria é um direito previsto pela Carta Magna, destinado a garantir condições dignas de vida ao trabalhador que atinge idade-limite ou se torna incapaz, não configurando instrumento punitivo.

Caso analisado

O julgamento no STF envolveu recurso contra deliberação do CNJ referente a um juiz de Mangaratiba (RJ). Entre as irregularidades atribuídas ao magistrado está a orientação para que servidores identificassem processos com a sigla “PM” quando as partes fossem policiais militares, além do atraso em ações sobre reintegração de militares favorecidos por decisões liminares.

O CNJ também apontou omissão reiterada do juiz em pedidos do Ministério Público que buscavam o bloqueio de bens, comportamento que, segundo o conselho, sugeria benefício ao grupo político do ex-prefeito de Mangaratiba, Evandro Capixaba. Condenado em 2016 a 52 anos de prisão, Capixaba foi acusado de liderar esquema que desviou cerca de R$ 10 milhões por meio de fraudes em licitações.

Reação da Anamages

A associação nega que tenha receio de fiscalização ou responsabilização, mas afirma não aceitar que “se ignore a Constituição e o processo legislativo legal”. A entidade reforçou que a aplicação de penas mais severas a juízes deve ser debatida e aprovada pelo Parlamento.

Com informações de Gazeta do Povo