Brasília — A equipe que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou nesta sexta-feira (13) que a pneumonia aspirativa que motivou sua internação no hospital DF Star “quase o matou” e ainda representa ameaça concreta à vida. Em coletiva de imprensa, os médicos reforçaram o pedido para que ele cumpra a pena em prisão domiciliar por motivos humanitários.
Risco persistente
“Já havíamos alertado para esse perigo. Uma pneumonia aspirativa pode evoluir para insuficiência respiratória e levar ao óbito se não houver intervenção”, afirmou o cirurgião Claudio Birolini, acrescentando que Bolsonaro está “estabilizado e consciente”, mas permanece em situação delicada.
Internação na UTI sem prazo de alta
O cardiologista Leandro Echenique informou que o ex-presidente foi mantido em Unidade de Terapia Intensiva por tempo indeterminado. Segundo ele, os calafrios relatados pelo paciente se devem a um quadro de bacteremia, indicativo de infecção na corrente sanguínea.
Pior pneumonia desde 2018
Para o clínico Brasil Caiado, esta é a terceira — e mais severa — pneumonia enfrentada por Bolsonaro. “A progressão foi assustadora. O comprometimento pulmonar avançou em poucas horas”, relatou.
Os médicos defendem que o ex-chefe do Executivo seja transferido para casa. “Ambientes inadequados agravam doenças. Em casa, a alimentação controlada reduz o risco de refluxo e novas complicações”, argumentou Caiado.
Tratamento e visitas restritas
Bolsonaro recebe antibióticos intravenosos e suporte clínico não invasivo. Após dois medicamentos, apresentou leve melhora, mas segue com enjoo, cefaleia e dores musculares típicas de infecções.
Ele é acompanhado pela esposa, Michelle Bolsonaro, e por dois policiais que fazem a segurança na porta da UTI e, futuramente, no quarto. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estão proibidos computadores, celulares ou qualquer dispositivo eletrônico. Os filhos têm permissão de visita.
Condenação e histórico de saúde
Preso desde 15 de janeiro no 19.º Batalhão da Polícia Militar — a “Papudinha” — Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses imposta pela Primeira Turma do STF. Seus problemas de saúde se intensificaram após o atentado a faca sofrido em 2018, que resultou em múltiplas cirurgias e complicações abdominais recorrentes.
As aderências internas provocadas pelas intervenções levaram a quadros de obstrução intestinal, hérnias e novas internações ao longo dos últimos anos, culminando nas atuais complicações respiratórias.
Com informações de Gazeta do Povo