O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,7% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (12/03/2026). O resultado ficou acima da estimativa de 0,6% projetada por analistas de mercado.
Com a variação do mês, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 3,81%, ligeiramente superior à projeção de 3,77% e inferior aos 4,44% registrados anteriormente. O índice permanece dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (3%, com tolerância de até 4,5%).
Educação puxa alta do índice
O grupo Educação registrou aumento de 5,21% — maior avanço desde fevereiro de 2023 — e respondeu por 0,31 ponto percentual do IPCA, cerca de 44% do resultado mensal. O movimento reflete reajustes típicos do início do ano letivo. Sem esse componente, a inflação de fevereiro teria ficado em aproximadamente 0,41%.
As maiores elevações ocorreram nas mensalidades do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Cursos regulares, em média, subiram 6,2%.
Transportes também pressionam
O grupo Transportes avançou 0,74% e adicionou 0,15 ponto percentual ao índice. Destaque para o salto de 11,4% nas passagens aéreas. Também subiram o seguro voluntário de automóveis (5,62%), conserto de veículos (1,22%) e tarifas de ônibus urbano (1,14%).
Os combustíveis registraram queda média de 0,47%, influenciados pela redução de 0,61% na gasolina e de 3,10% no gás veicular, após corte de cerca de 5,2% no preço cobrado pelas refinarias no fim de janeiro.
Alimentos têm variação moderada
Em Alimentação e bebidas, a alta foi de 0,26%. Entre os itens que encareceram estão açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovos de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Por outro lado, frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%) ficaram mais baratos. O arroz acumula recuo de 27,86% em 12 meses, enquanto o café cai há oito meses seguidos.
Demais grupos
No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços avançaram 0,59%, com artigos de higiene pessoal subindo 0,92% e planos de saúde, 0,49%.
Habitação teve alta de 0,30%, revertendo a queda do mês anterior, impulsionada por reajustes nas tarifas de água e esgoto em algumas capitais e pela elevação de 0,33% na energia elétrica residencial, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde.
O IPCA de fevereiro confirma a influência sazonal dos reajustes escolares e evidencia pressões específicas nos transportes, apesar da trégua nos combustíveis.
Com informações de Gazeta do Povo