Brasília — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a passagem do assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie pelo Brasil, com previsão de encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode caracterizar ingerência nos assuntos internos do país em pleno ano eleitoral.
Em manifestação enviada nesta quinta-feira (12) ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que investiga Bolsonaro, Vieira destacou que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Sem agenda oficial com o governo
Moraes questionou o Itamaraty sobre eventual programação diplomática entre Beattie e autoridades brasileiras. O chanceler respondeu que não há compromissos oficiais agendados. A defesa de Bolsonaro já obteve autorização para a visita na unidade prisional do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, mas solicitou antecipação da data.
Visto concedido para evento sobre minerais
Vieira informou que o visto concedido a Beattie teve como justificativa a participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que ocorrerá em Brasília. Segundo o ministro, a solicitação formal não mencionava encontros “não relacionados aos objetivos oficialmente comunicados”, razão pela qual o documento não abrangeria a visita ao ex-presidente detido.
Chegada e permanência
De acordo com o Itamaraty, Beattie deve desembarcar na capital federal na próxima segunda-feira (16) e deixar o país na quarta-feira (18). A embaixada dos Estados Unidos chegou a pedir reunião entre o assessor e o chefe da Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais (Cocit), Marcelo Della Nina, mas o encontro ainda não foi confirmado.
Com informações de Gazeta do Povo