Home / Política / Sob pressão do caso Banco Master, Congresso adota votações virtuais por três semanas

Sob pressão do caso Banco Master, Congresso adota votações virtuais por três semanas

ocrente 1773283779
Spread the love

Brasília, 11 de março de 2026 – Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, decidiram suspender as sessões presenciais no Congresso Nacional e recorrer a votações remotas durante as próximas três semanas.

A medida ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e ao crescimento da pressão da oposição pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o escândalo.

Justificativa oficial e bastidores

Publicamente, os líderes argumentam que o período coincide com a janela partidária, prazo que se encerra em 3 de abril e permite a troca de partidos por deputados e senadores. Nos bastidores, o acordo é visto como uma forma de reduzir a temperatura dos debates em Brasília, permitindo que os parlamentares permaneçam em seus estados enquanto novas revelações sobre o caso vêm à tona.

Investigações atingem o Legislativo

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha relação próxima com lideranças do Congresso. Os diálogos citam jantares e reuniões nas residências oficiais das presidências da Câmara e do Senado. Até o momento, Motta e Alcolumbre não comentaram o conteúdo dessas conversas.

CPMI travada

A oposição já reuniu assinaturas suficientes para criar uma CPMI sobre o Banco Master. Entretanto, a comissão só pode ser instalada após a leitura do requerimento pelo presidente do Senado, responsabilidade que Alcolumbre vem postergando.

Pautas retiradas

Projetos considerados sensíveis ao sistema financeiro foram retirados da pauta da Câmara. Entre eles, uma proposta que estabelecia regras para socorrer bancos em situação de risco. Parlamentares avaliaram que discutir o tema agora seria “inoportuno” diante da crise envolvendo o Banco Master.

Críticas ao regime virtual

Senadores e deputados da oposição, como Eduardo Girão e Adriana Ventura, classificam a decisão de trabalhar a distância como “omissão” da Mesa Diretora. Segundo eles, o formato virtual enfraquece o papel fiscalizador do Congresso num momento em que surgem suspeitas de corrupção e supostos contatos indevidos entre autoridades do Judiciário e o banqueiro investigado.

As votações remotas estão previstas para durar três semanas, prazo que pode ser prorrogado ou revisto de acordo com a evolução das investigações e a pressão política em torno da CPMI.

Com informações de Gazeta do Povo