Home / Economia / Conflito no Irã e restrições da China acendem alerta de desabastecimento de fertilizantes no Brasil

Conflito no Irã e restrições da China acendem alerta de desabastecimento de fertilizantes no Brasil

ocrente 1773189276
Spread the love

Técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontam “elevadíssimo risco” de aumento de preços e até falta de fertilizantes para a safra 2026/2027. A advertência consta de duas notas técnicas classificadas como urgentes e enviadas ao secretário-executivo da pasta, Irajá Lacerda.

Dependência externa expõe produção nacional

O Brasil importa 85% dos adubos químicos usados no campo, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa vulnerabilidade, dizem os documentos, torna o país suscetível a choques externos, como o atual conflito no Oriente Médio e novas barreiras comerciais impostas pela China.

Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona preços

A Guarda Revolucionária do Irã bloqueou na semana passada o Estreito de Ormuz, rota por onde passam grandes carregamentos de gás natural — matéria-prima da ureia, fertilizante nitrogenado mais consumido no mundo. A medida elevou o custo do frete marítimo e do próprio gás. Nos portos brasileiros, a ureia subiu 15% na última semana, enquanto o nitrato de amônio avançou 28%, de acordo com a consultoria StoneX.

De acordo com o analista Tomás Pernías, muitos fornecedores retiraram ofertas do mercado à espera de definições sobre preços internacionais. O Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações globais de ureia; interrupções prolongadas podem comprometer a oferta mundial do insumo.

China limita venda de fosfatados

Além do aperto na ureia, o mercado enfrenta a redução das exportações chinesas de fertilizantes fosfatados até meados deste ano. A China é o terceiro maior fornecedor desse insumo para o Brasil, atrás apenas de Marrocos e Egito. Em 2025, foram importadas 1,6 milhão de toneladas de fosfatados chineses.

Estimativas do setor apontam risco de déficit entre 1 e 3 milhões de toneladas desses fertilizantes em 2026, volume suficiente para afetar a produtividade da safra 2026/2027.

Cenários considerados pelo governo

No pior quadro projetado pelo Mapa, um bloqueio de seis meses no Estreito de Ormuz levaria da pressão de preços para a escassez efetiva de produtos, atingindo cultivos como soja, trigo, cana-de-açúcar e café. “Caso a duração do conflito se estenda, o risco migra de preço para disponibilidade”, diz o parecer.

O relatório também recorda que, desde a guerra da Ucrânia, o governo tenta reduzir a dependência externa por meio do Plano Nacional de Fertilizantes. Apesar do objetivo de cortar a fatia importada de 85% para 45% até 2050, dados da Anda indicam estagnação: em 2025, o país produziu 7,2 milhões de toneladas e importou 43,3 milhões.

Com informações de Gazeta do Povo