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Boulos acusa setor empresarial de “terrorismo econômico” por reação ao fim da escala 6×1

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Brasília, 4 de março de 2026 – O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que as críticas de empresários à proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 configuram “terrorismo econômico”. A declaração foi feita nesta quarta-feira (4) durante o seminário “Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea”, promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na capital federal.

Ao abordar a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem diminuição salarial, Boulos comparou a resistência do empresariado ao debate sobre a regulamentação de aplicativos de transporte e entrega. “Dizem que vai aumentar o preço da comida, do Uber… houve aumento de 50% no Uber no último ano e isso não foi para o bolso do trabalhador. Esse discurso não cola. É o mesmo terrorismo econômico usado contra o fim da escala 6×1”, afirmou.

Na semana passada, o ministro já havia associado a postura de executivos ao “terrorismo econômico”. Ele citou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que declarou à Folha de S.Paulo que a redução da jornada elevaria custos empresariais repassados ao consumidor. Segundo Boulos, trata-se de “ameaça repetida há um século contra direitos trabalhistas”.

Proposta em tramitação

A mudança na jornada está prevista em proposta de emenda à Constituição apresentada pelos deputados Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em 9 de fevereiro.

Pela redação, o limite passa a ser de 8 horas diárias e 40 horas semanais, com dois dias de folga em vez de um. Após análise de constitucionalidade na CCJ, a matéria seguirá para comissão especial que discutirá o mérito. Se aprovada pelos deputados, ainda precisará ser examinada pelo Senado, passando novamente por CCJ e plenário. Caso o texto seja mantido integralmente nas duas Casas, será promulgado pelo Congresso, sem necessidade de sanção presidencial.

O Palácio do Planalto aposta na medida como uma das principais agendas trabalhistas de 2026, ano eleitoral.

Com informações de Gazeta do Povo