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BRB fixa provisão de R$ 8 bilhões para cobrir prejuízo com carteiras do Banco Master

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Brasília – O Banco de Brasília (BRB) reservará aproximadamente R$ 8 bilhões em seu balanço para compensar perdas ligadas à compra de créditos considerados falsificados do Banco Master. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (2) pelo presidente da instituição, Nelson de Souza, após reunião de cerca de 11 horas a portas fechadas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), da qual participaram 19 dos 24 deputados distritais.

De acordo com investigações, o BRB adquiriu em 2024 cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras que, mais tarde, foram classificadas como fraudulentas. Segundo Souza, aproximadamente R$ 10 bilhões já foram recuperados ao longo de 2025, reduzindo parte do impacto financeiro.

O valor da provisão foi definido em conjunto com o Banco Central, órgãos de controle e auditorias independentes, entre elas a consultoria Machado Meyer. “Agimos de forma conservadora. A orientação de todos os fiscalizadores aponta para provisão de R$ 8 bilhões e necessidade de capitalização máxima de R$ 6,6 bilhões”, afirmou o executivo.

Alternativas para reforçar o caixa

Para recompor o capital, o banco estuda três frentes: venda de participações em subsidiárias, negociação da carteira do Master avaliada em R$ 21,9 bilhões e a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Pressão pelo “PL da Salvação”

Diante do impacto contábil, a diretoria do BRB intensificou a cobrança pela votação do chamado “PL da Salvação”, projeto de lei elaborado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) que autoriza mecanismos de capitalização da instituição. Uma reunião de líderes marcada para esta terça-feira (3) definirá se o texto entrará na pauta do plenário. O sindicato dos funcionários convocou empregados do conglomerado e terceirizados para acompanhar a sessão e pressionar os parlamentares.

O governo de Ibaneis Rocha, acionista controlador do BRB, articula a aprovação, enquanto deputados da base e da oposição pedem detalhes sobre riscos fiscais e garantias de retorno aos cofres públicos.

Ação no STF

Paralelamente, o BRB ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal para que os fluxos de pagamentos das carteiras hoje administradas pelo liquidante do Banco Master voltem ao banco brasiliense. De acordo com Souza, o relator deferiu o pedido e deu 48 horas para manifestação do liquidante.

A provisão de R$ 8 bilhões não implica desembolso imediato, mas reduz a margem de capital da instituição e pode resultar em restrições regulatórias caso não haja reforço patrimonial.

Com informações de Gazeta do Povo