O governo do Paquistão anunciou, na madrugada desta sexta-feira (27), ter realizado ataques aéreos contra alvos do regime talibã em Cabul, Paktia e Kandahar, marcando o episódio mais grave entre os dois vizinhos desde que os fundamentalistas retomaram o poder no Afeganistão, em 2021.
Mosharraf Zaidi, porta-voz do primeiro-ministro paquistanês para a imprensa estrangeira, afirmou que os bombardeios, classificados como contra-ataques, deixaram 133 combatentes talibãs mortos e mais de 200 feridos. Do lado afegão, o principal porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou as explosões na capital, mas declarou que não houve vítimas.
Combates na fronteira
A troca de fogo estendeu-se por vários pontos da Linha Durand desde a noite de quinta-feira (26). Segundo Cabul, forças afegãs retaliaram mirando posições militares paquistanesas em Kandahar e Helmand. A ofensiva ocorre cinco dias depois de uma série de incursões aéreas atribuídas ao Paquistão.
Declaração oficial de “guerra aberta”
Em publicação na rede X, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, afirmou que “a paciência se esgotou” e declarou: “A partir de agora, estamos em guerra aberta”. O ministro acusou o Talibã de agir como “representante da Índia” e disse que Islamabad buscou evitar o confronto por meio de negociações diretas e pela intermediação de países parceiros.
O Paquistão enfrenta um pico de violência interna desde agosto de 2021, atribuído por Islamabad ao abrigo oferecido pelo Talibã a grupos terroristas nas áreas tribais afegãs — acusação rejeitada por Cabul.
Pressão internacional
A Rússia exortou os dois países a suspenderem as hostilidades e “retornarem à mesa de negociações”, informou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova. Após o isolamento provocado pela guerra na Ucrânia, Moscou estreitou laços com o Emirado Islâmico, retirando o grupo da lista de organizações terroristas em abril de 2025.
A China, por sua vez, declarou estar mediando “por canais próprios” para conter a escalada e expressou “profunda preocupação” com as vítimas. Pequim pediu garantias de segurança para seus cidadãos e projetos vinculados à Iniciativa Cinturão e Rota, em especial o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC).
Sem indicação de cessar-fogo, combates continuaram na madrugada desta sexta-feira, mantendo a região sob alerta máximo.
Com informações de Gazeta do Povo