Brasília — 26.fev.2026 (quinta-feira) — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, em votação simbólica e em bloco, a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente da República. O requerimento, apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL), foi alvo de tentativa de retirada pela base governista, mas acabou confirmado pelo plenário do colegiado.
A sessão foi marcada por forte tensão. Após o anúncio do resultado, parlamentares governistas questionaram o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e deu-se início a um empurra-empurra. No tumulto, o deputado Luiz Lima (PL-RJ) recebeu um soco no rosto desferido pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). Correia se desculpou alegando ter reagido a um empurrão, mas, depois, negou a agressão, dizendo ter apenas levantado a mão ao cair. O Novo informou que acionará o Conselho de Ética.
Motivos para a quebra
No relatório que sustentou o pedido, a comissão menciona:
- Mensagens interceptadas pela Polícia Federal em que se fala no repasse de R$ 300 mil a “Fabinho”, supostamente referência a Fábio Luís;
- Registros de viagem que mostram Lulinha e o empresário Antônio Camilo juntos em voo de primeira classe para Lisboa, em novembro de 2024, com bilhetes entre R$ 14 mil e R$ 25 mil;
- Suspeita de participação de Fábio Luís como sócio oculto em empresas de cannabis medicinal, supostamente financiadas com recursos desviados da Previdência.
Defesa pede acesso aos autos
O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, declarou que o cliente “não teve participação em fraudes no INSS” e pediu ao Supremo Tribunal Federal acesso à decisão que autorizou a medida. A defesa garante que apresentará documentos de forma espontânea, classificando a quebra como “desnecessária”.
Reações políticas
Senadores e deputados da oposição celebraram o avanço. O senador Sergio Moro (União-PR) escreveu que “a blindagem falhou”. Marcel van Hattem (Novo-RS) defendeu a prorrogação da CPMI para “aprofundar as investigações”. Já governistas acusaram a presidência do colegiado de “sabotagem” ao não pautar requerimentos apresentados pela base. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) exigiu explicações sobre a ordem de votação.
Outros requerimentos aprovados
Na mesma sessão foram autorizadas:
- Quebras de sigilo bancário e fiscal de uma empresária suspeita de movimentar recursos no exterior para investigados;
- Quebra de sigilo de um empresário citado como elo financeiro do esquema;
- Solicitações de dados de instituições financeiras e companhias relacionadas a descontos de empréstimos consignados entre 2015 e 2025.
A CPMI, instalada para apurar supostas fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo benefícios do INSS, seguirá analisando os documentos obtidos e poderá convocar novos depoimentos. Não há, por enquanto, data definida para a próxima reunião.
Com informações de Gazeta do Povo