Caracas, 10 de fevereiro de 2026 – O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que não há previsão de eleição presidencial para os próximos meses. Segundo o dirigente chavista, o governo provisório chefiado por sua irmã, a ditadora interina Delcy Rodríguez, dá prioridade à “estabilidade” durante o período de transição aberto após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Em entrevista exibida na noite de segunda-feira (9) pela emissora norte-americana Newsmax, Rodríguez declarou: “A única coisa que posso dizer é que não haverá eleições neste período imediato”. Trata-se da primeira conversa de um líder chavista com um veículo internacional em 2026.
O parlamentar explicou que um pleito poderá ser considerado “se avançarmos na estabilização nacional” e houver “um acordo com todos os setores da oposição”. Questionado sobre a opositora María Corina Machado, mencionou o projeto de lei de anistia em tramitação para presos políticos detidos desde 1999, ressaltando que “há muitos atores no exterior que devem ser incluídos na conversa”.
Abertura do setor de petróleo a investidores estrangeiros
No diálogo com o jornalista Rob Schmitt, Rodríguez também destacou a reformulação da política petrolífera. O governo venezuelano, disse ele, está abrindo a indústria a capitais estrangeiros, sobretudo norte-americanos, após anos de sanções e bloqueio econômico.
O dirigente reconheceu “dificuldades sob o bloqueio” e admitiu que “alguns erros” foram cometidos, mas enxerga agora “uma oportunidade de ouro” para impulsionar saúde, educação e cultura por meio de “uma economia de livre mercado”. Citando o ex-presidente dos EUA Donald Trump, acrescentou: “Queremos converter este petróleo em hospitais, escolas e benefícios para o povo da Venezuela”.
Sobre o contato com a administração Trump, Rodríguez avaliou que “nos últimos 33 dias as coisas avançaram muito rápido” e disse ver espaço para uma relação de “benefício mútuo”.
Medidas após a captura de Maduro
Desde a prisão de Maduro e a posse de Delcy Rodríguez como chefe do Executivo interina, o regime:
- alterou a Lei de Hidrocarbonetos para permitir participação de empresas dos EUA;
- retomou a venda de petróleo sob tutela econômica norte-americana;
- iniciou a libertação de centenas de presos políticos.
As iniciativas alimentam expectativas de organizações civis e da oposição sobre o alcance da prometida “reconciliação” e os possíveis efeitos econômicos da aproximação entre Caracas e Washington.
Com informações de Gazeta do Povo