Hong Kong – O Tribunal Superior de Hong Kong condenou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, o empresário da mídia Jimmy Lai, 78 anos, a 20 anos de prisão por conspiração com forças estrangeiras e divulgação de publicações sediciosas, crimes previstos na Lei de Segurança Nacional.
Fundador do extinto jornal Apple Daily, Lai está detido desde agosto de 2020. Declarado culpado em dezembro de 2025, o magnata se descreveu como “preso político” durante o processo, conduzido sem júri e considerado o caso mais emblemático desde a imposição da lei, em 2020.
O Ministério Público alegou que, a partir da redação e da estrutura corporativa do Apple Daily, o réu articulou campanha para impulsionar sanções internacionais contra a China e a Região Administrativa Especial de Hong Kong, buscando o “colapso” do Partido Comunista Chinês.
A nova sentença projeta a libertação mais próxima para 2044, salvo redução por bom comportamento. No mesmo julgamento, seis ex-diretores do jornal e dois ativistas, que se declararam culpados em 2022, receberam penas entre seis e dez anos.
Segurança reforçada e reação internacional
O veredito foi anunciado numa sala lotada do Tribunal de West Kowloon, acompanhada pela esposa de Lai, Teresa Li Wan-kam, pelo cardeal aposentado Joseph Zen e por representantes consulares de países ocidentais. Do lado de fora, forte aparato policial revistou manifestantes e apreendeu itens simbólicos, como bonecos do sapo “Pepe” – ícone dos protestos de 2019 – e chaveiros do Apple Daily.
Governos de Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Canadá e Austrália pediram a libertação de Lai. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse estar “triste” com a decisão, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, solicitou a soltura por razões humanitárias.
Pequim defende punição severa
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que Lai “merece castigo severo” por colocar “em grave perigo” a segurança nacional. Lin acusou o empresário de prejudicar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong e criticou países que, segundo ele, interferem em assuntos internos da China.
Organizações de direitos humanos, como a rede Chinese Human Rights Defenders (CHRD), classificaram a condenação como “política”. Especialistas da ONU já haviam considerado a detenção “arbitrária” em 2024 e renovaram pedidos de libertação após o veredito de dezembro.
O julgamento correu diante de três juízes designados para casos de segurança nacional, sem a participação de júri, conforme previsto na legislação imposta por Pequim.
Com informações de Gazeta do Povo