A Costa Rica volta às urnas no próximo domingo, 1º de fevereiro, para escolher o presidente que governará o país de 2026 a 2030. A campanha foi dominada pelo avanço do narcotráfico e pelo crescimento da violência, temas que passaram a ocupar o centro do debate público após escândalos e recordes de criminalidade registrados em 2025.
Até poucos anos considerada uma das nações mais seguras da América Latina, a Costa Rica encerrou 2025 com a terceira maior taxa de homicídios da América Central: 16,6 por 100 mil habitantes. No mesmo período, as forças de segurança apreenderam mais de 44 toneladas de cocaína — salto expressivo em relação às 27 toneladas confiscadas em 2024.
A escalada criminal ganhou visibilidade com o desmantelamento do Cartel do Caribe do Sul, descrito como a primeira organização transnacional de drogas baseada no país, e com a prisão do ex-ministro da Segurança Celso Gamboa Sánchez, acusado pelos Estados Unidos de comandar uma rede regional de tráfico.
Favoritismo governista
Dezenove candidatos disputam o Palácio Presidencial, mas a conservadora Laura Fernández, do governista Partido Soberano do Povo (PPSO), lidera as intenções de voto com 44%, segundo pesquisa do Centro de Pesquisas e Estudos Políticos da Universidade da Costa Rica divulgada em 28 de janeiro. Ex-chefe de gabinete do presidente Rodrigo Chaves, Fernández defende linha-dura contra o crime, incluindo a possibilidade de decretar estados de exceção semelhantes aos adotados em El Salvador, expansão de scanners em portos, aeroportos e fronteiras, além de maior cooperação com DEA, Interpol e Europol.
Centrista foca em policiamento de choque
O economista e professor Álvaro Ramos, do Partido Liberação Nacional, surge como principal adversário governista, com 9% das intenções de voto. Ramos propõe contratação de 6 000 novos policiais, criação de um laboratório de balística biométrica e implementação de “contêineres inteligentes” para dificultar a ação de quadrilhas em rotas de exportação.
Oposição de esquerda rejeita restrição de direitos
Também com cerca de 9% nas pesquisas, a ex-primeira-dama Claudia Dobles, da Coligação Agenda Cidadã, rechaça medidas que limitem liberdades civis. Sua plataforma destaca prevenção, reativação do Conselho Nacional de Segurança Presidencial e integração das forças policiais a programas sociais e educacionais.
Cerca de 3,7 milhões de eleitores estão habilitados a votar. Caso nenhum candidato alcance 40% dos votos válidos, haverá segundo turno em abril. O pleito decidirá se o país manterá a continuidade da agenda de Rodrigo Chaves, representada por Fernández, ou optará por outra das 18 alternativas na cédula.
Com informações de Gazeta do Povo