HAVANA – A companhia estatal Unión Eléctrica (UNE) informou que Cuba enfrentará apagões prolongados nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, com possibilidade de deixar simultaneamente até 52% do território nacional sem energia durante os horários de maior consumo.
Segundo a UNE, ligada ao Ministério de Energia e Minas, a capacidade de geração prevista é de 1.560 megawatts (MW), enquanto a demanda máxima deve atingir 3.200 MW no fim da tarde e à noite. O déficit estimado é de 1.640 MW, e o impacto programado — parcela que será retirada do sistema para evitar colapso — pode chegar a 1.670 MW.
Cadeia de problemas
A crise energética, que se arrasta desde o verão de 2014, decorre da falta de divisas para importar petróleo em volume suficiente e das constantes avarias nas usinas termelétricas obsoletas. O quadro se agravou com a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos — Caracas era o principal fornecedor de petróleo bruto para Havana.
Atualmente, cinco das 16 termelétricas da ilha estão fora de operação por falhas ou manutenção pendente. Essas unidades respondem por cerca de 40% da matriz elétrica cubana.
Geração distribuída parada
A UNE anunciou ainda que 116 usinas de geração distribuída permanecem paradas por falta de combustível (diesel e óleo combustível), enquanto outras 15 estão desligadas por escassez de lubrificantes.
Investimento bilionário necessário
Especialistas independentes calculam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para estabilizar o sistema elétrico do país, que é totalmente estatal desde 1959. O governo cubano atribui a crise às sanções dos Estados Unidos, classificando-as como um “estrangulamento energético”.
Os cortes diários prejudicam a economia — que encolheu mais de 15% desde 2020, de acordo com dados oficiais — e têm sido estopim de grandes protestos nos últimos anos.
Com informações de Gazeta do Povo