Caracas, 4 jan. 2026 – A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) declarou apoio a Delcy Rodríguez para chefiar interinamente o governo venezuelano, um dia depois de o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) convocá-la para substituir Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos junto com a primeira-dama, Cilia Flores.
O posicionamento foi lido em cadeia nacional pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López. No documento, os militares afirmam acatar a decisão do TSJ, mas reiteram que Maduro continua sendo “o verdadeiro e legítimo líder constitucional” e exigem das autoridades norte-americanas sua libertação imediata.
Designação do TSJ
No sábado (3), a presidente da Câmara Constitucional do TSJ, magistrada Tania D’Amelio, classificou a captura de Maduro como “sequestro” e disse que o episódio representa uma situação “excepcional, atípica e de força maior”, não prevista literalmente na Constituição. Para garantir a continuidade administrativa, o tribunal citou o artigo 234 da Carta venezuelana, que permite ao vice-chefe do Executivo assumir por até 90 dias, prorrogáveis por igual período se o Parlamento concordar.
Estado de comoção externa
No mesmo comunicado, a FANB manifestou “total” apoio ao estado de comoção externa, decreto inédito assinado por Maduro em 29 de setembro sob alegação de ameaças dos Estados Unidos. A medida amplia atribuições do governo em cenários de conflito e autoriza:
- mobilização das Forças Armadas em todo o país;
- ocupação militar imediata de infraestruturas de serviços públicos;
- controle sobre a indústria de hidrocarbonetos e estatais estratégicas;
- ativação de planos especiais de segurança interna.
Delcy Rodríguez, que também é ministra de Hidrocarbonetos, já havia detalhado o decreto a diplomatas estrangeiros em Caracas no fim de setembro. Agora, com o respaldo do Exército, o dispositivo ganha força enquanto o país aguarda definições jurídicas sobre a condição de Maduro.
Com informações de Gazeta do Povo