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Captura de Maduro por forças dos EUA inaugura fase agressiva de Trump e pressiona governo Lula

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Brasília — A detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro por militares dos Estados Unidos, anunciada na madrugada de sábado (3), representa uma guinada na política de segurança de Washington para a América Latina e acende alerta em Brasília.

Maduro foi capturado em território venezuelano e transferido aos EUA para responder a acusações de narcoterrorismo. A operação ocorreu após semanas de sanções, declarações contundentes da Casa Branca e movimentação naval no Caribe. Em pronunciamento, Donald Trump afirmou que a ação inaugura “uma nova fase” no relacionamento com governos considerados hostis no continente.

Reflexos imediatos na fronteira com o Brasil

Horas depois da operação, autoridades venezuelanas fecharam o principal posto terrestre com Roraima, reabrindo-o no mesmo dia. O Itamaraty informou que a situação na região é “tranquila” e que não há aumento atípico no fluxo migratório, mas reforçou o monitoramento conjunto com órgãos federais e estaduais. Roraima segue como principal porta de entrada de venezuelanos em fuga da crise no país vizinho.

Dilema diplomático para Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação americana como “violação da soberania venezuelana”, posição que contrasta com a aproximação ensaiada recentemente entre Brasília e Washington. A nova Estratégia Nacional de Segurança norte-americana, divulgada no fim de 2025, prioriza combate ao crime organizado transnacional, narcotráfico, imigração irregular e contenção de Rússia e China — elementos que, segundo analistas, recolocam a América Latina no centro da agenda dos EUA.

Possíveis desdobramentos na região

Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, a justificativa usada contra Maduro pode alcançar outros governos, ainda que sem uso imediato de força. Ele observa que o Brasil resiste a rotular facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, postura que pode ganhar peso diante da nova doutrina americana. O especialista aponta, entretanto, que a Colômbia de Gustavo Petro seria alvo mais provável antes do Brasil, devido à possibilidade de mudança política por via eleitoral.

Ainda sem sinais de escalada militar além da Venezuela, Washington reforça o recado de que considerará o narcotráfico um assunto de segurança nacional, retomando, em novos termos, o princípio de primazia dos EUA no hemisfério ocidental.

Com informações de Gazeta do Povo