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Captura de Nicolás Maduro reposiciona EUA na Venezuela e amplia pressão sobre Rússia, China, Irã e Cuba

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Caracas, 3 jan. 2026 – Forças norte-americanas detiveram neste sábado (3) o presidente venezuelano Nicolás Maduro na capital do país, em uma operação militar que, segundo a Casa Branca, visa desmontar um regime acusado de narcotráfico, terrorismo e corrupção sistêmica. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou a ação do Salão de Crises e anunciou que Washington assumirá a administração provisória da Venezuela até a formação de um governo de transição.

Petróleo no centro das apostas

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, de acordo com o Oil & Gas Journal. Trump afirmou que companhias norte-americanas investirão “bilhões de dólares” para recuperar a infraestrutura energética do país, deteriorada durante anos de gestão chavista, com o objetivo de “recuperar todo o petróleo que a Venezuela deve aos EUA”.

Atualmente, a produção venezuelana gira em torno de 1 milhão de barris por dia – volume muito abaixo do registrado no início da década passada. Ao The New York Times, Richard Bronze, chefe de geopolítica da consultoria Energy Aspects, avaliou que a retomada do setor exigirá estabilidade política, segurança interna e investimentos de dezenas de bilhões de dólares ao longo de vários anos.

Impacto geopolítico

Analistas do Atlantic Council destacam que a queda de Maduro representa um duro golpe para a Rússia, que perde um aliado chave no hemisfério ocidental num momento em que depende das exportações de energia para financiar a guerra na Ucrânia. Uma eventual elevação da oferta de petróleo sob influência norte-americana tende a acirrar a concorrência global e pressionar as receitas de Moscou.

A China também sente os efeitos da mudança. Aproximadamente 80% das exportações venezuelanas de petróleo tinham Pequim como destino nos últimos anos. Trump declarou que as vendas poderão continuar, porém “sob novas condições”, o que amplia a capacidade de Washington de influenciar os fluxos energéticos que abastecem o mercado chinês.

No Oriente Médio, o Irã observa a operação como sinal de que os EUA estão dispostos a empregar força militar contra governos acusados de desestabilização regional. Na América Latina, o reflexo imediato recai sobre Cuba, historicamente dependente do petróleo venezuelano a preços subsidiados. A interrupção desse fluxo tende a agravar a crise econômica na ilha, marcada por falta de combustível e apagões frequentes. Trump afirmou ao New York Post que não pretende intervir militarmente em Havana, mas que o regime “vai cair por si só” diante da deterioração financeira.

Situação política em Caracas

Com Maduro preso, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do Executivo e classificou a operação norte-americana como “ilegal”, exigindo a libertação imediata do líder chavista. Trump advertiu que lançará uma ofensiva “muito maior” se Rodríguez não cooperar com o processo de transição.

Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, foram levados para os Estados Unidos, onde enfrentarão acusações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e conspiração no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Segundo a promotoria, o casal e outros integrantes do regime teriam usado órgãos estatais durante mais de duas décadas para facilitar o envio de cocaína ao território norte-americano.

Com informações de Gazeta do Povo