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Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após deposição de Maduro

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Caracas — Delcy Eloína Rodríguez, 56 anos, tornou-se presidente interina da Venezuela em 4 de janeiro de 2026, poucas horas depois da captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A nomeação foi determinada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e já recebeu reconhecimento do Itamaraty.

Até então vice-presidente executiva, Rodríguez é a primeira mulher a chegar ao cargo máximo do país. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a nova chefe de governo indicou disposição para “cooperar na transição de poder”, posição definida pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump como “aceitável” no momento.

Discurso de confronto

Em pronunciamento obrigatório em rádio e televisão, ainda na madrugada de sábado, Rodríguez classificou a operação militar dos EUA como “crime” e “agressão à soberania”, rejeitou a ideia de libertação e afirmou que “o único presidente é Nicolás Maduro”. Ao seu lado estavam o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez (seu irmão), o ministro do Interior, Diosdado Cabello, o chanceler Yván Gil Pinto e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

Carreira ligada ao chavismo

Rodríguez foi chanceler entre 2014 e 2017, período em que defendeu o governo venezuelano na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Mercosul. A atuação ficou marcada por embates com governos que criticavam a Revolução Bolivariana.

Origem e formação

Nascida em 1969, Delcy Rodríguez é filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista venezuelana que morreu preso em 1976 acusado de sequestro de um empresário norte-americano. Formada em Direito, ela se especializou em Direito do Trabalho na Universidade de Paris e concluiu mestrado em Ciências Políticas e Estudos Sociais no Birkbeck College, em Londres.

Sanções internacionais

A nova presidente interina figura em listas de sanções de:

  • Estados Unidos
  • União Europeia
  • Canadá
  • Suíça
  • Colômbia

As medidas foram impostas por acusações de corrupção, lavagem de dinheiro, violações de direitos humanos e participação na criação da Assembleia Nacional Constituinte de 2017, estrutura que esvaziou poderes do Parlamento eleito.

Com a posse de Delcy Rodríguez, a Venezuela passa a ser comandada por uma figura historicamente ligada ao bolivarianismo e alvo de extensa pressão externa, enquanto se inicia uma negociação internacional sobre os próximos passos do país.

Com informações de Gazeta do Povo