A Polícia Federal apontou o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, como destinatário final de recursos desviados em um esquema que aplicava descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. A conclusão consta em relatórios da Operação Sem Desconto, deflagrada para desarticular a chamada “farra do INSS”.
Segundo os investigadores, valores subtraídos do instituto eram repassados ao parlamentar por meio de assessores, numa estrutura criada para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Os agentes descobriram mensagens entre o contador Alexandre Caetano — ligado a empresas do empresário conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso — e o economista Rubens Oliveira Costa. Um arquivo de Excel nomeado “Grupo Senador Weverton” também foi anexado às provas.
A PF sustenta que o enriquecimento do “Careca do INSS” contou com respaldo político, envolvendo diretamente o senador. Esse apoio teria permitido a manutenção e a expansão do esquema.
Mandados e itens de luxo apreendidos
Na manhã de quinta-feira, 18 de dezembro, Weverton Rocha foi alvo de mandados de busca e apreensão. A PF chegou a solicitar sua prisão, mas o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, negou o pedido.
Durante as buscas, foram recolhidos armas, dinheiro em espécie, veículos Volvo, relógios importados, joias e outros bens considerados incompatíveis com a renda declarada. As apreensões ocorreram em diversos estados e no Distrito Federal, incluindo um endereço ligado ao senador.
Posicionamento do governo e do senador
Em nota conjunta, o Ministério da Previdência Social e o INSS afirmaram que seguem colaborando com a investigação e trabalham para recuperar os valores desviados, frisando que o esquema teve início na gestão anterior e foi interrompido no atual governo. No âmbito administrativo, o procurador federal Felipe Cavalcante e Silva assumirá o cargo de secretário-executivo da pasta.
Weverton Rocha declarou que continua no exercício do mandato e colaborará com as autoridades “com serenidade” para esclarecer os fatos.
Com informações de Direitaonline