O presidente da Argentina, Javier Milei, completou dois anos no comando do país em 10 de dezembro, exibindo avanço nas reformas econômicas e uma base legislativa mais ampla após as eleições de meio de mandato.
Cenário econômico
Eleito em 2023 em meio a uma crise de inflação e pobreza acima de 40%, o economista libertário concentrou esforços no ajuste fiscal. O déficit primário de 2,9% do PIB registrado em 2023 transformou-se em superávit de 1,8% no ano seguinte. Entre janeiro e outubro de 2025, o saldo positivo chegou a 1,4% do PIB.
A política de contenção de gastos e de emissão monetária derrubou a inflação anual de mais de 200% para cerca de 30% em dois anos. A taxa mensal, que era de 25,5% em dezembro de 2023, recuou para 2,3% em outubro de 2025. A expectativa oficial é de crescimento econômico de 4,5% em 2025.
No mercado financeiro, a Argentina voltou a emitir títulos soberanos em dólares pela primeira vez em quase oito anos, sinalizando retorno gradual ao crédito externo.
Reformas e estratégia política
Com o La Libertad Avanza (LLA) – partido criado às margens do sistema tradicional –, Milei impulsionou mudanças como a Lei Bases, que redefiniu o papel do Estado na economia. Parte da pauta avançou por meio de decretos de necessidade e urgência, alguns contestados pela oposição peronista.
Nas eleições legislativas de 26 de outubro, o governo obteve mais de 40% dos votos e ampliou significativamente sua presença no Congresso. O resultado foi atribuído, em parte, ao apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerado decisivo para acalmar os mercados na reta final da campanha.
Escândalos e próximos passos
O período também foi marcado por contratempos. A criptomoeda $LIBRA, promovida por aliados governistas, despencou pouco após o lançamento e foi denunciada como golpe. A irmã do presidente, Karina Milei, secretária-geral da Presidência, virou alvo de suspeitas de suborno na Agência Nacional de Deficiência, e o então candidato a deputado José Luis Espert renunciou em meio a acusações de ligação com o narcotráfico.
Mesmo sob pressão, o governo planeja enviar ao Parlamento nos próximos meses propostas de reforma trabalhista, tributária e previdenciária, confiando no novo equilíbrio de forças e na expectativa popular de estabilização definitiva da economia.
Com dois anos de mandato concluídos, Milei inicia a segunda metade de seu governo com superávit fiscal, inflação em declínio e um Congresso mais favorável, mas ainda enfrenta o desafio de sustentar o ritmo de recuperação sem perder apoio social.
Com informações de Gazeta do Povo