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Relatório de defesa da Dinamarca questiona confiabilidade dos EUA e alerta para uso de força contra aliados

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O governo da Dinamarca divulgou nesta quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, um relatório de segurança nacional que expressa, pela primeira vez, dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a proteção da Europa. Elaborado pelo Serviço Dinamarquês de Inteligência de Defesa, o documento afirma que Washington “já não descarta o uso da força militar, mesmo contra aliados”, e recorre ao poder econômico, como ameaças de tarifas, para impor seus interesses.

A avaliação dinamarquesa destaca que as grandes potências, de modo geral, “priorizam cada vez mais seus próprios objetivos e recorrem à força para alcançá-los”. Nesse cenário, a agência alerta para o avanço da ameaça militar russa à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e para a “incerteza” em torno do papel norte-americano como principal garantidor da segurança europeia.

Contexto das tensões

Entre novembro de 2024, quando foi reeleito, e os primeiros meses de seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em diversas ocasiões que pretendia anexar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, e não descartou recorrer à força para concretizar o plano.

Trump também vem insistindo que os países europeus assumam maiores responsabilidades em defesa. Na cúpula da Otan realizada em junho, em Haia, os aliados aprovaram a meta sugerida por Washington de aplicar pelo menos 5% do PIB em gastos militares até 2035.

Novo plano norte-americano

Na semana passada, os Estados Unidos publicaram um plano de segurança nacional que coloca em dúvida a continuidade da parceria com a Europa. O texto alerta para um “risco de fim da civilização europeia”, mencionando imigração e o que descreve como censura no continente.

Em entrevista ao site Politico na segunda-feira, 8 de dezembro, Trump reforçou as críticas e afirmou que o continente europeu “está cheio de líderes fracos”.

Para o Serviço Dinamarquês de Inteligência de Defesa, a combinação dessas posições intensifica a insegurança sobre a política externa dos Estados Unidos e exige que a Dinamarca e seus parceiros europeus acompanhem de perto a evolução do cenário estratégico.

Com informações de Gazeta do Povo