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Brasil já é o segundo emergente mais endividado do mundo, diz IIF

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São Paulo, 8 de dezembro de 2025 — A dívida pública do Brasil atingiu 89% do Produto Interno Bruto (PIB) e passou a ser a maior entre os países emergentes monitorados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ficando atrás somente da China, de acordo com relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).

O estudo aponta que o avanço brasileiro ocorre em meio a um movimento global de alta da dívida, que somou US$ 101,3 trilhões no segundo trimestre deste ano, 9% acima do registrado há doze meses. Entre os emergentes, a média de endividamento está em 72,7% do PIB, puxada por China (93,4%), Índia (80,2%) e Argentina (75,2%). Na América Latina, o percentual médio é de 67,9%.

No caso brasileiro, a metodologia internacional inclui os títulos públicos mantidos na carteira do Banco Central, elevando o indicador a 89% do PIB. Pelo critério doméstico, a relação dívida/PIB era de 78,1% em setembro. Desde o início de 2023, o nível de endividamento nacional subiu mais de seis pontos percentuais, e projeções citadas pelo IIF apontam para alta adicional de até nove pontos até o fim de 2026.

Pressão sobre os juros

Com déficits fiscais persistentes e prazos cada vez mais curtos para rolagem de títulos, países emergentes precisam oferecer juros mais altos para atrair investidores. “Uma trajetória ruim da dívida aumenta o prêmio de risco exigido pelos compradores de papéis”, afirmou o diretor-gerente e economista-chefe do IIF, Marcello Estevão.

A preocupação não se restringe às economias em desenvolvimento. Entre os países avançados, o Japão deve fechar o ano com dívida equivalente a 214% do PIB, seguido pelos Estados Unidos (119,3%) e pela Zona do Euro (91,4%), levando a média das nações desenvolvidas a 112,5%.

Projeções do FMI

O Fundo Monetário Internacional estima que, em cenário adverso, a dívida pública global pode subir a 117% do PIB em 2027, maior patamar desde o período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, quando o porcentual aproximou-se de 132% em 1948.

Para o IIF, a necessidade de ajustes fiscais é urgente em diversos países, inclusive no Brasil, onde as políticas de aumento de gastos mantêm o déficit em níveis elevados.

Com informações de Gazeta do Povo