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Tarifas dos EUA elevam déficit comercial brasileiro, afirma Alckmin

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Brasília — O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que o chamado “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos intensificou o déficit comercial do Brasil com o país norte-americano. Segundo ele, as exportações recuaram 4% no acumulado de 2025, enquanto as importações de produtos norte-americanos avançaram mais de 11% no mesmo período.

Alckmin comentou o tema nesta terça-feira (25), durante evento promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). A declaração ocorre poucos dias depois de o presidente Donald Trump retirar parte da sobretaxa de 40% que incidia sobre determinados itens agrícolas brasileiros.

“Eles só têm superávit com três países do G20 — Reino Unido, Austrália e Brasil — e isso vem aumentando”, afirmou o vice-presidente. “Embora tenha caído a nossa exportação para os Estados Unidos, a importação cresceu mais de 11% este ano. Então não há justificativa para estas tarifas.”

Impacto sobre produtos brasileiros

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a queda nas vendas externas se intensificou nos últimos três meses. O governo atribui à antecipação de embarques a contenção de uma retração ainda maior.

De acordo com Alckmin, 22% das exportações brasileiras estão diretamente sujeitos às novas tarifas, afetando setores industriais e itens agropecuários como mel e pescados. Outros 27% já sofrem sanções aplicadas também a outros países.

O vice-presidente destacou ainda a atual estrutura tarifária favorável aos Estados Unidos: entre os dez principais produtos que o país vende ao Brasil, oito entram com alíquota zero, resultando em tarifa média de 2,7%.

Negociações e medidas de socorro

Além de tentar reverter as sobretaxas, Alckmin mencionou frentes de negociação em áreas como data centers, big techs e exploração de terras raras, que, segundo ele, podem destravar avanços diplomáticos e comerciais.

No entanto, o impacto das tarifas, disse o vice-presidente, exige respostas imediatas. Ele cobrou do Congresso a votação de dois textos enviados pelo Executivo:

  • PLP do Reintegra Especial — prevê crédito de 3,1% sobre o valor exportado e de 6,1% para micro e pequenas empresas, válido para 2025 e 2026;
  • Medida Provisória do Plano Brasil Soberano — reúne ações emergenciais e perde a validade em 11 de dezembro se não for apreciada.

“Sem aprovação legislativa, esses benefícios não poderão ser acessados”, alertou. Para Alckmin, a incerteza pode comprometer ainda mais a competitividade das empresas brasileiras no mercado norte-americano.

Com informações de Gazeta do Povo