A Polícia Federal afirma que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto embolsava até R$ 250 mil por mês em propina para permitir descontos indevidos em aposentadorias e pensões feitos pela Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Stefanutto foi preso nesta quinta-feira (13.nov.2025) durante nova fase da Operação Sem Desconto, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Embora o caso tramite em sigilo, a decisão foi tornada pública no início da noite.
Atuação no esquema
Segundo a PF, o ex-presidente do INSS atuava como “facilitador institucional” desde 2017, quando auxiliou juridicamente na assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Conafer. Para mascarar a origem do dinheiro, os pagamentos teriam passado por empresas de fachada — entre elas, uma pizzaria.
As investigações apontam que a fraude gerou R$ 708 milhões em receitas ilícitas, dos quais R$ 640,9 milhões foram desviados para contas de operadores e empresas laranjas. O esquema teria atingido mais de 600 mil beneficiários, provocando milhares de ações judiciais e administrativas.
A corporação relata que Stefanutto recebeu os valores mensais de junho de 2023 a setembro de 2024; houve ainda um pagamento isolado em outubro de 2022.
Planilha de propina
Durante as apurações, peritos federais localizaram trocas de mensagens e planilhas de repasses ilícitos entre o operador financeiro da Conafer, Cícero Marcelino, e o presidente da entidade, Carlos Roberto Lopes. Os documentos listam servidores e políticos com apelidos, em formato semelhante ao encontrado na Operação Lava Jato em 2016.
Alguns codinomes identificados:
- “Italiano” – Alessandro Stefanutto;
- “Herói A” – André Fidelis, ex-diretor do INSS;
- “Herói V/Amigo V/Procurador” – Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador federal;
- “Herói E” – deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG);
- “São Paulo Yasser” – José Carlos Oliveira (hoje Ahmed Mohamad Oliveira), ex-ministro da Previdência e ex-diretor de Benefícios do INSS.
De acordo com a PF, Pettersen foi o “mais bem remunerado” da lista, recebendo ao menos R$ 14,7 milhões por meio de uma lotérica e de uma construtora para proteger a Conafer. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Busca contra ex-ministro
José Carlos Oliveira também teve endereço vasculhado. Para os investigadores, sua posição nos altos escalões da Previdência foi decisiva para viabilizar e blindar o esquema de descontos.
Versões das defesas
Advogados de Alessandro Stefanutto classificaram a prisão como “completamente ilegal” e disseram que ele coopera com as investigações desde o início, aguardando acesso integral aos autos para adotar medidas cabíveis.
Euclydes Pettersen declarou, em nota, que recebe a operação “com serenidade” e que nunca manteve relação ilícita com o INSS ou com a Conafer. O deputado afirmou estar à disposição das autoridades.
Em comunicado, a Conafer lamentou a nova fase da operação, reforçou o princípio da presunção de inocência e criticou “exposição pública” que, segundo a entidade, causa prejuízos a milhares de famílias do campo que dependem de suas atividades.
Com informações de Gazeta do Povo