Imagens de satélite captadas pela Planet Labs e repassadas ao jornal britânico Telegraph revelam que a China vem ampliando uma instalação militar em Lop Nur, área remota do Deserto de Gobi onde o país realizou seu primeiro teste nuclear em 1964.
Os registros mostram a pista de pouso mais longa do mundo, dois caças furtivos de nova geração e obras que sugerem preparação para ensaios nucleares subterrâneos. O local, comparado por analistas à “Área 51” norte-americana, permanece fora dos limites de sobrevoo civil.
Caças de última geração
Entre as aeronaves identificadas está o J-36, descrito pelo especialista em aviação Peter Layton, da Universidade Griffith (Austrália), como um trimotor de dois lugares sem cauda, otimizado para furtividade. O modelo realizou seu primeiro voo em dezembro de 2024.
Ao lado do J-36 aparece um segundo jato menor, chamado J-XDS (ou J-50), equipado com dois motores e um assento. Segundo Layton, trata-se de um caça de alta velocidade e grande altitude, projetado para lançar mísseis antes de ser detectado.
Projeto de avião espacial
A gigantesca pista de Lop Nur também seria destinada a um avião espacial experimental reutilizável, avistado pela primeira vez em 2020 e frequentemente comparado ao X-37B dos Estados Unidos. Com cerca de 19 m de envergadura e 18 m de comprimento, a aeronave teria capacidade para transportar carga útil “significativa”, incluindo armamentos ar-solo e mísseis ar-ar de longo alcance.
Relatórios de inteligência norte-americanos apontam que, em eventual conflito, a China poderia empregar o J-36 para lançar enxames de drones, aumentando o potencial ofensivo da plataforma.
Sinais de novos testes nucleares
Renny Babiarz, ex-analista da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial dos EUA, afirma ter identificado na região uma nova área dedicada a testes nucleares criada entre 2020 e 2024. As fotos mostram furos de sondagem, túneis horizontais, prédios de apoio e estruturas que indicam armazenamento de materiais altamente explosivos.
A combinação de pista ampliada, aeronaves furtivas e instalações subterrâneas reforça a avaliação de especialistas de que Pequim esteja modernizando simultaneamente suas capacidades aéreas e nucleares em Lop Nur.
Com informações de Gazeta do Povo